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The Girlfriend Experience | Um incrível estudo de personagem

Written By Marcus Araújo on 28 julho 2016 | 09:50


Em maio de 2009, Steven Soderbergh lançava o filme "The Girlfriend Experience", longa que fez barulho por conta de sua protagonista, a atriz de filmes adultos Sasha Gray. O longa foi recebido friamente pela crítica, que o avaliou como bem feito, porém emocionalmente vazio. Em junho de 2014 o canal STARZ encomendou uma série de 13 episódios baseada no filme, tendo Soderbergh como produtor executivo. 

A série acompanha Christine Reade (Riley Keough), uma estudante de direito esforçada que está prestes a começar sua carreira profissional estagiando num grande escritório de advogacia. Quando sua amiga Avery (Kate Lyn Sheil) revela estar ganhando muito dinheiro como "namorada de aluguel", Christine decide entrar no jogo. 


Aliciada por Jacqueline (Alexandra Castillo), ela logo livra-se da "cafetina" suspeita e passa a trabalhar por contra própria. No mercado da prostituição, Christine assume várias facetas, nunca sendo ela mesma. Chelsea, Annabelle, Amanda... Todas são personagens nas mãos de uma mulher que sabe o que quer. 

A nossa protagonista está mais para anti-heroína. Christine é extremamente egoísta e insensível, sempre estando no controle de todas as situações. Ela se articula de um modo que nem mesmo os telespectadores conseguem interpretar o que se passa em sua mente, e isso é mérito da atuação estonteante de Riley Keough (tristemente esnobada no Emmy deste ano). A atriz domina a tela completamente, sua elegância e beleza te encantando, mas suas nuances te apavorando.

São inúmeras as vezes em que temos exemplos do egoísmo que Christine carrega consigo: seja nas cenas de masturbação assistida, ou até mesmo em diálogos, ela é sempre o centro das atenções. Chega a ser irônico ela perguntar-se se é uma sociopata, uma vez que apresenta todos os requisitos para sê-lo. 


Enquanto tenta conciliar suas duas vidas, a Kirkland & Allen (firma na qual trabalha) está passando por alguns problemas internos. O envolvimento de Christina com seu chefe, Paul Sparks (David Tellis), acaba resultando num grande escândalo, que atinge o seu ápice no maravilhoso episódio "Blindsided", onde vemos a nossa protagonista lidar com a situação utilizando o desespero  como sua maior arma.

The Girlfriend Experience possui um certo problema de ritmo: ela peca ao concentrar muita tensão nos episódios do meio, deixando o início e o final em certo "banho-maria". Se o filme foi criticado por ser insensível, a série faz disso o seu elemento principal. Escrita e dirigida por Lodge Kerrigan e Amy Seimetz, nos é entregue um produto isento de qualquer emoção. A sua fotografia poderia muito bem ter sido retirada de "House of Cards", com seus tons frios e planos elegantes; Sua trilha, composta pelo multitarefa Shane Carruth, ajuda a manter a tensão sobre o telespectador, que se sente desconfortável a todo momento.

No final das contas: The Girlfriend Experience não é uma série perfeita, mas nos conquista com um estudo de personagem magnífico. 
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