Batman: A Piada Mortal | A piada ainda é boa

Written By Aurelio Arnholdt on 03 agosto 2016 | 00:10


Antes de qualquer coisa, eu preciso confessar que não li a Graphic Novel que deu origem à animação. Eu a vi. Folheei as páginas, mas não li o conteúdo. Sim, eu sei, isso pode parecer uma heresia em se tratando de um fã (não fanático) de Batman. O fato é que eu nunca gostei muito do Curinga dos quadrinhos. Sempre achei ele caricato demais e isso gerava um contraste muito grande com a personalidade sisuda do Homem-Morcego. Sim, eu também sei que isso é proposital. Batman: A Piada Mortal reforça isso ainda mais, porém de uma forma mais inteligente.

Fonte: www.gancarteek.com
O longa começa sendo contado do ponto de vista de Barbara Gordon (voz de Tara Strong), a Batgirl, pupila de Batman (voz de Kevin Conroy). Ela relata os acontecimentos que levaram à separação da dupla, uma decisão tomada por ela, porém, influenciada pelo comportamento super-protetor que Batman demonstra em relação à ela, algo diretamente ligado à morte de Robin, mas não explicitado por ele. Há também um envolvimento emocional da parte dela e, estranhamente, recíproco por parte do Homem-Morcego, ainda que isso não tenha sido mostrado nos quadrinhos, o que gerou  uma certa comoção nos fãs por acharem o envolvimento forçado e impróprio. Eu achei OK. Explico.

Fonte: aodisseia.com
Ela o admirava. Tinham uma proximidade muito grande. Uma cumplicidade ainda maior já que ambos conheciam suas identidades secretas e, consequentemente compartilhavam segredos. Confiavam um no outro ao ponto de arriscar suas vidas para se protegerem mutuamente. E não é isso que as pessoas que se amam fazem? Ele homem, ela mulher. Junte isso ao caldeirão e pronto. Acho muito mais plausível que houvesse um envolvimento físico e emocional do que o distanciamento completo. E convenhamos, o Batman já teve outras mulheres. Enfim, aceitem, aconteceu e não pode ser apagado. E além do mais, a trama central do filme nem é essa.
Após escapar da prisão, o Curinga (voz de Mark Hamill) decide raptar o Comissário Gordon (voz de Ray Wise), simplesmente para provar sua teoria de que qualquer pessoa, após passar por um grande trauma, enlouquece. Esse é justamente o ponto forte desta animação, aliado aos seus discursos, quando ele defende seu ponto de vista perante o Comissário, ainda que de uma forma deturpada pela própria loucura. E ver as coisas pela sua perspectiva chega a ser perturbador.
Como pano de fundo, são mostrados os acontecimentos que deram origem à ele, antes um comediante frustrado e um pai de família falido que resolveu participar de um assalto que termina tragicamente, o deixando completamente louco.
Fonte: foz.portaldacidade.com
A animação é muito bem feita. A característica dos traços é constante e a dinâmica dos movimentos bastante acertada. 
E o final, continua o mesmo dos quadrinhos.
Aí é que está a grande questão dessa adaptação.
Considerando o envolvimento entre Batman e Batgirl, retratado no começo, a reação do Batman frente à piada contada pelo Curinga no final parece ser algo desproporcional. Parece.
Isso porque o ponto de vista do Curinga, de que qualquer pessoa enlouquece frente a uma tragédia, acaba sendo posta abaixo quando Gordon ordena que Batman o prenda sem desobedecer às regras, mostrando que ainda estava de posse da sua sanidade.
Pelo envolvimento do Batman com Barbara, era esperado que ele quisesse ao menos espancar o Curinga, mas ele não o faz e eu entendo que criar essa relação mais humana entre eles serviu para deixá-lo em um patamar de envolvimento semelhante ao que Gordon tem com ela.
Com isso, mostrar que o Batman ainda assim se oferece para ajudar o Curinga, reforça o quão equivocada a tese dele estava.
A loucura não é inerente aos fatos da vida e sim ao indivíduo.

Confuso? Então assista e volte aqui pra gente conversar.

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Veja o trailer abaixo:

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