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Especial | Grandes Diretores #2 - François Truffaut

Written By Wesley Fernandes on 09 agosto 2016 | 23:00



Estamos de volta! Para a segunda matéria especial com grandes diretores de cinema. Se na primeira falamos do pai dos blockbusters, dessa vez falaremos de um dos pais daquilo que conhecemos hoje como “cinema de arte”, muito apreciado entre os cinéfilos que preferem películas de baixo orçamento e narrativas mais autênticas e lineares. Estamos falando de ninguém mais, ninguém menos que François Truffaut, um dos diretores mais importantes da história da sétima arte.
Como o próprio nome já indica, Truffaut nasceu na França, e começou sua empreitada na sétima arte não necessariamente dirigindo filmes, mas problematizando as formas de fazer cinema. O cineasta sempre tentava chamar a atenção para a relevância de obras autorais, que tentassem fugir dos grandes estúdios e suas exigências, que quase sempre feriam de alguma forma a ideia original.



E foi mediante suas contestações, que ele, ao lado de outros jovens cineastas franceses, criaram a chamada “Nouvelle Vague”, um movimento artístico, que tinha como objetivo criar meios para que os filmes fossem feitos com muita criatividade e baixos orçamentos. O movimento acabou vingando, principalmente pela falta de grana que havia para se produzir filmes nos anos 60, que ajudou o mesmo a ganhar força.
Partindo da França para o mundo, nasceu o “cinema de arte”, que passou depois disso a ter seus próprios festivais acontecendo em Cannes, Veneza e Berlim, esses mesmos que até hoje selecionam os melhores filmes do ano para indicar ao Oscar, tomando a forma que conhecemos hoje.



Falando de suas produções, Truffaut teve seu primeiro longa lançado em 1958, chamado “Os Incompreendidos”, também entendida como a obra seminal do movimento “Nouvelle Vague”, foi um estouro no cinema internacional. Como não podia deixar de ser, trata-se de uma obra de baixíssimo orçamento, que foi financiada pelo sogro do cineasta e narra a história de um jovem parisiense que se rebela contra autoritarismo em sua casa, na escola e passa por mudanças significativas, do ponto de vista da convivência social. O filme rendeu o prêmio de melhor direção em Cannes para Truffaut, além de uma indicação de Melhor Roteiro no Oscar daquele ano.
“Os Incompreendidos” chamou a atenção do mundo para Truffaut e suas ideias e, logo, todos aguardavam seu segundo trabalho, que veio em 1960 com o filme “Atirem no Pianista”, romance policial que foi alvo de uma série de críticas, tão severas, que muitos disseram que a “Nouvelle Vague” iria acabar ali mesmo.
Mas a resposta do genial cineasta veio em 1962, com o filme “Uma Mulher Para Dois”, drama que mostra a história de dois amigos que se apaixonam pela mesma mulher. O filme tornou-se um sucesso absoluto de crítica e trouxe os olhos do cinema mundial para a França novamente.



A história do diretor se firma ao longo dos anos 60, mediante obras como “Um Só Pecado” (1964), “A Noiva Estava de Preto” (1968), “Beijos Proibidos” (1968) e “A Sereia do Mississipi” (1969), sempre em parceria com seu amigo e co-produtor de suas obras, Jean Luc-Godard (outro diretor que merece uma matéria própria aqui também), até então um dos cineastas mais promissores da França. A amizade entre ambos dura até o inicio dos anos 70, quando rompem a parceria em definitivo.
Nos ano 70 Truffaut passa a alçar novos voos e, em 1970, ele participa como protagonista pela primeira vez de um filme dirigido por ele em “O Garoto Selvagem”, película que narra a história de um professor que assume a tarefa de educar um garoto selvagem.
Em 1973 o diretor vence seu primeiro e único Oscar, de Melhor Filme Estrangeiro, por “A Noite Americana”, filme estrelado por Jaqueline Bisset, que narra a história de uma produção de cinema problemática. Truffaut atua neste filme também e, após ganhar o coração de Hollywood, rejeitou uma proposta milionária da Warner para refilmar “Casablanca”, pois aceitá-la iria de encontro a tudo aquilo que ele acreditava e havia defendido ao longo da carreira.



Em 1975 o diretor viu “A História de Adele H”, ser indicado ao Oscar e sua conterrânea francesa, Isabelle Adjani, vencer o prêmio de Melhor Atriz. Na reta final dos anos 70 Truffaut ainda teve tempo de finalizar o quinto filme sobre a vida de Antoine Doinel, personagem principal de seu primeiro filme, que apareceu pela quinta. e última vez, nas telonas no filme, “Amor Em Fuga” (1979).
O cineasta morreu em 1984, mas apadrinhou e influenciou toda uma geração de grandes diretores, como Steven Spielberg, Brian De Palma, Quentin Tarantino e Martin Scorcese, todos eles declaradamente influenciados pelo pai da “Nouvelle Vague”.

Você pode até não ser adepto dos filmes de arte e suas narrativas sempre mais densas e lineares, mas visitar a filmografia de Fraçois Trufautt é obrigatório para todo o amante da sétima arte, nelas, as ideias e perspectivas do autor saltam aos olhos em cada take, onde é preciso olhar “além do que se vê”. 
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