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The Get Down | Netflix (crítica 1x1)

Written By Juliana Xavier on 16 agosto 2016 | 23:09




A série começa com uma breve narrativa em forma de rap, onde temos Ezekiel, nosso protagonista já adulto, contando um pedaço de sua história. Levando-nos então a um cenário histórico  e marcante dos anos 80. 

Na história, temos Ezekiel que é órfão e mora com a tia e seu namorado. Um adolescente afro-latino poeta, tímido e sonhador. Sua grande paixão de infância é Mylene que como ele tem grandes sonhos, o dela é ser cantora e acha que ele ou outros homens somente a atrapalharão, o que a faz negar as investidas românticas de Ezekiel. Filha de um severo pastor, ela canta na igreja mas sua família é intolerante a sua paixão por música e abomina disco music.


Como antecipado, Ezekiel cruza com a lenda do grafite Shaolin Fantastic, que também é respeitado e um enigma nas ruas do Bronx. Shaolin quer se tornar um Dj mas precisa de um poeta/mestre de cerimônias para isso. Assim Ezekiel e seus amigos conhecem a cultura hip hop que está em ascensão na sua comunidade e se juntam ao movimento underground, e Ezekiel vê no freestyling uma maneira de explorar seu dom.


O piloto de The Get Down não é para todos. É preciso paciência para passar pelos 93 minutos. Com narrativa e sequências rápidas, e em muitos momentos difíceis de se acompanhar, a série se prejudica nos primeiros minutos de seu piloto. Boa parte do que você precisa saber para entender o cenário social e político em que a série se passa é explicado nos primeiros trinta minutos, o que faz a uma hora seguinte, ser repleta de cenas, diálogos, e correrias longas demais, o que confunde o telespectador e dar um ar superficial a cenas e seus personagens. Em certo momento eu não sabia mais quem era quem ou o que. Eram apenas personagens demais em um episódio só.
  

O primeiro episódio nos faz lembrar muito os filmes dos anos 80, além de séries que fizeram sucesso e ainda fazem hoje em dia, como Todo mundo odeia o Chris (bateu até aquela saudade básica de assistir sabe?). Entretanto, com tantas referências postas em um piloto, acabou havendo a perda de uma originalidade que a série teria tudo para ter. 


Apesar disso, a trilha sonora é perfeitamente fluída e se encaixa em cada cena, arrisco dizer, que ela é o que salva esse piloto em diversos momentos. As letras são ideais e bem escritas e interpretadas pelo ator Justice Smith (Ezekiel). Mesmo que eu goste mais de sua voz do que do visual do ator em si. Apenas não se encaixava em minha mente, ao fechar os olhos imaginava duas pessoas completamente diferentes. E em alguns momentos suas declarações infinitamente românticas e poéticas me faziam querer adiantar alguns minutos a frente. 


O cenário, fotografia e tomadas da cidade são bem artificiais, mas cumpre seu papel, dando um ar claro de pseudodocumentário. Os figurinos e produção ajudam a convencer e complementar a ambientação da série, junto aos prédios em chamas destruídos.

No geral, o piloto é artisticamente bom, mas não o suficiente para agradar a todos. E sua narrativa por muitas vezes é fantasiosa demais, que foge da realidade da época e da história do hip hop. 

Grande fã de musicais, filmes e séries clássicas, devo confessar que o piloto em si não me fez cair de amores, mas que vale a pena e que definitivamente irei conferir o que virá a seguir.
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