Home » , » “Alô Sidney!” - 20 anos de “Pânico”, o filme que revolucionou o gênero thriller/terror

“Alô Sidney!” - 20 anos de “Pânico”, o filme que revolucionou o gênero thriller/terror

Written By Cleber Campos on 16 setembro 2016 | 23:00


Resultado de imagem para panico

"São todos iguais, um assassino idiota persegue uma péssima atriz peituda, que sobe as escadas ao invés de sair pela porta da frente. É insultante!" (Sidney Prescott, respondendo porque não gosta de filmes de terror)



Quem foi adolescente nos anos 90 e nunca engatou uma conversa ao telefone com um estranho, que ligou para sua casa? Confesse, você já fez isso, e ficou completamente aterrorizado quando a pessoa começou a dizer umas bobagens do outro lado da linha, e a ligar repetidas vezes mesmo depois de você bater com o telefone na cara dela. Todos os seus medos vieram à tona e você pensou em todos os tipos de besteiras, de ser seguido(a) da escola para casa, até achar que a pessoa é um psicopata que vai entrar na sua casa e te matar. “Será que eu aguentaria morrer perseguido por um maluco, como nos filmes de terror?”


Apostando nessa identificação do público com um terror real, estreava há 20 anos, Pânico (Scream), filme do lendário Wes Craven, que revolucionou o gênero terror/thriller. Nessa época o cinema de horror estava em decadência, principalmente o sub-gênero slasher, aquele de filmes de serial killers. Craven (A Hora do Pesadelo - 1984), conhecido como o mestre do terror nos anos 80, sabia que precisaria de uma história marcante para voltar a ocupar seu posto, e não perdeu tempo quando recebeu um roteiro instigante do então novato Kevin Williamson. A história repleta de sustos e muito sangue fazia uma homenagem inteligente aos clássicos do gênero, trazendo os clichês para dentro da história de Sidney Prescott, fazendo uma aproximação fundamental da personagem com nós, os espectadores.

E isso já fica bem claro nas cenas iniciais do filme, quando uma mocinha indefesa, atende seu telefone e fica de papo com uma misteriosa voz, que pergunta qual o seu filme de terror favorito. A partir daí, todos os nossos gatilhos mentais e subconscientes piscam e gritam dentro de nós: “desliga esse telefone”, “corre menina”, “grita”! É a identificação perfeita! Sofremos junto com a primeira vítima, e vemos o assassino icônico mostrar do que é capaz, numa das cenas de aberturas mais chocantes vistas em filmes de terror.


Pronto, já estamos completamente capturados pelo longa, que sem firulas, embarca numa construção muito bem sucedida do drama pessoal de Sidney Prescott (vivida pela estreante Neve Campbell), uma adolescente meiga que, assombrada por um passado sangrento, começa a viver um pesadelo pessoal, quando o serial killer também liga para ela, e tenta matá-la. Com um roteiro inteligente, ótimas sacadas de humor e o uso da metalinguística, Wes Craven colocou seu nome na história outra vez, ao conduzir de forma sagaz a direção do longa. Tudo trabalha a favor do filme, desde a escolha dos atores pouco conhecidos, passando pela trilha sonora que compõe os personagens, até a edição e montagem das cenas.

O uso bem-sucedido de metáforas visuais (a pipoca estourando enquanto a personagem é esfaqueada pelo assassino), bem como da metalinguagem são os pontos altos da produção. Trazendo o mundo dos filmes de terror para dentro da história, os personagens vão tratando de questões e clichês do universo do horror, e tudo é completamente ligado ao desenvolvimento da trama. A criação de uma mocinha morena e inteligente, que questiona a lógica dos filmes (assim como nós fazemos), e que sabe se livrar do assassino, sendo até irônica nos momentos cruciais, é uma desconstrução incrível do clichê da mocinha loura burra e indefesa. Mas não pense que o filme é somente desconstrução, é aí que a coisa fica boa: o longa é delicioso porque ao mesmo tempo que desconstrói, também segue todas essas regras, e nos mostra porque elas devem ser seguidas, dentro da mitologia do horror. É a auto-ironia do mais alto nível! É a brincadeira mais dolorosa e inteligente de se ver, e é por isso que Pânico funciona!



A necessidade de sabermos o motivo, um gatilho, um feixe de luz que explique o porquê de atos tão brutais, permeia todo o filme, e o diretor sabe brincar com isso também, desconstruindo e reafirmando padrões, fazendo com que num minuto tenhamos certeza de quem é o assassino, e no seguinte já não saibamos de mais nada! A verdade é que no final, tudo faz sentido, o assassino estava lá, claro com a água desde os primeiros minutos do filme.

Pânico foi produzido com orçamento de 15 milhões de dólares e faturou mais de 160 milhões! O longa não só foi um sucesso, como também revitalizou e popularizou o gênero, arrastando legiões de fãs para suas 3 sequencias, e servindo de inspiração para dezenas de longas, décadas depois. As referências ao mundo dos filmes de terror, o humor negro e a exploração do assassino crível e criativo, fez do filme um clássico do cinema, gostoso de ser revisitado, e que merece toda a reverência como filme obrigatório para os amantes do suspense/terror.   

Escrito por Nathally Carvalho


Share this article :
 
Support : | |
Copyright © 2011. Premiere Line - All Rights Reserved