Me Chama de Bruna | Não é mais do mesmo

Written By Aurelio Arnholdt on 29 setembro 2016 | 18:37

O canal FOX Brasil convidou o Premiere Line para participar do lançamento da série nacional Me Chama de Bruna, que conta - de novo - a história da prostituta mais famosa do Brasil a Bruna Surfistinha (Raquel Pacheco). A promessa dos produtores, entre eles Zico Góes, é de que a série irá abordar essa história com um novo olhar. Assistindo ao piloto da primeira temporada, que estréia em 8 de outubro, contará com 8 episódios e será exibido pelo canal Premium Fox One, deu pra sentir que a abordagem será realmente diferente.
Fonte: virgula.uol.com.br
O evento foi organizado no Cine Belas Artes, cultuado local de exibição de filmes nacionais e europeus, com tocadas artísticas bem mais fortes e de distribuição bastante restrita. A sala que escolheram tem sofás feitos com bancos de carros antigos nas primeiras fileiras e uma decoração bastante peculiar. O mais curioso é que ela tem um mini restaurante lá dentro. Por ser antiga, a disposição das fileiras é quase no mesmo plano e isso foi, no mínimo, nostálgico. Só o fato de ser um cinema de rua, fora de um shopping, já era motivo suficiente para nostalgia. Sim, eu sou do tempo que não haviam tantos shoppings e muito menos cinema dentro deles.
O primeiro episódio da série começa com a Bruna, interpretada pela estreante Maria Bopp, mostrando ser a única dona de todo o seu corpo, enfatizando isso após dizer que outras pessoas já quiseram mandar nele, em um vídeo caseiro.
Na sequência, a história volta um pouco na cronologia e Bruna aparece no bordel de Stella (Carla Ribas), em busca de trabalho. Ainda menor de idade e inexperiente, ela finge exatamente o contrário e tenta convencer Stella disso, então se oferece para mostrar do que é capaz e acaba ganhando o emprego. Logo de cara já conquista a antipatia de Jéssica (Nash Laila), que se mostra incomodada com a novata, denotando que será sua nêmesis ao longo dessa temporada.
Sendo o sexo parte integrante da história, era de se esperar cenas de nudez e muitas transas. Não foi o que eu vi. E isso é extremamente importante. Conversando com a diretora, Márcia Faria, perguntei a ela se havia uma preocupação com o momento que as mulheres estão enfrentando na nossa sociedade e se, de alguma maneira, ela teve o cuidado de não banalizar o sexo e piorar ainda mais um assunto tão delicado. A resposta dela veio de encontro às minhas impressões iniciais. Ela disse que, além de contar a história de Raquel Pacheco, o intuito é abordar justamente o que há por trás da prostituição, inverter os papéis de quem é o objeto nesse tipo de relação e mostrar que, em sua opinião, esse papel cabe ao homem - no meu entendimento, acho que o homem acaba se tornando o meio para que elas possam atingir seus objetivos. Além disso Márcia pretende dar rostos a histórias que as atrizes puderam ouvir diretamente de prostitutas com as quais se reuniram na preparação de suas personagens. Então perguntei ao elenco feminino como essa experiência mexeu com suas emoções e impressões e as respostas de Maria, Nash e Carla seguiram a mesma linha de que não há glamour na prostituição. Todas elas disseram o quanto foi difícil perceber como a sociedade enxerga as prostitutas e as discrimina e como cada uma delas tem seus motivos para optarem por esse tipo de trabalho.
Fonte:carolconde.com.br
Foi exibido apenas o primeiro episódio. Com uma linguagem bem crua e visceral, os diálogos parecem bastante autênticos e realistas. O ritmo se assemelha muito ao usado pelas melhores séries de drama que assisto atualmente e em alguns momentos me lembrei de Ray Donovan, que tem a pedofilia como pano de fundo para uma história familiar bastante complexa.
Posso dizer que a série é, no mínimo, interessante e polêmica, ainda mais nesse momento de luta social das mulheres. 
Eu torço pra que consigam realmente explorar esse assunto sem banalizá-lo, pois não precisamos mais disso nessa sociedade machista e ignorante em que vivemos, onde 42% da população masculina e, pasmem, 32% da feminina, ainda acha que mulher que se dá ao respeito não é estuprada.
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Abaixo, algumas fotos do evento que cobrimos. 
























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