Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar (Crítica com Spoilers)



Vou confessar de cara que sou muito fã da franquia Piratas do Caribe. Assisti a todos os filmes no cinema, exceto o primeiro. Virei fã do Johnny Depp, do Orlando Bloom e da Keira Knightley por causa da franquia. Então, talvez por isso, eu seja bastante exigente com esses filmes.

Quando foi anunciado o lançamento de Piratas do Caribe 5, eu imaginei que ele fosse seguir a mesma linha do quarto filme. Ou seja, que seria mais uma aventura de Jack Sparrow sem qualquer ligação com a história do casal William Turner (Orlando Bloom) e Elizabeth Swann (Keira Knightley). Mas me enganei. Vou comentar sobre a participação deles dois mais embaixo.

Primeiramente, o roteiro. A franquia Piratas do Caribe sempre contou com bons roteiros, mas não dá para negar que, desde o primeiro filme, o roteiro segue uma mesma fórmula. Sempre no início do filme uma maldição é apresentada e ela sempre tem uma conexão muito forte com Jack Sparrow, então um dos coprotagonistas precisa da ajuda de Jack para quebrar a maldição e salvar a pessoa amada. Surgem a partir daí várias cenas de ação, com lutas grandiosas e muito bem ensaiadas. Em meio a isso, várias tiradas cômicas de Jack e vários momentos românticos entre os coprotagonistas. O caráter de Jack é testado, ele se mostra um pirata trapaceiro e mesquinho a princípio, mas no final sempre demonstra que, na verdade, ele é uma boa pessoa. Enfim, essa é a fórmula. E querem saber? Ela funciona muito bem.

Os fãs de Piratas do Caribe ou até mesmo aqueles que estão indo conferir a franquia pela primeira vez se deliciam com um filme que nos apresenta uma sequência muito bem traçada de eventos e que possui todos os principais ingredientes de um bom blockbuster: aventura, ação, comédia e romance.

Saindo do roteiro e partindo para os efeitos especiais. O que são os efeitos de Piratas do Caribe? Em uma palavra: incríveis. E sempre foram, desde o primeiro filme, apesar de este ter sido lançado há quase 15 anos. A Disney cumpre muito bem o seu papel de transportar o público do filme para o tão famoso brinquedo de seu parque que inspirou a franquia. Porque, para aqueles que não sabem, a franquia Piratas do Caribe foi inspirada num brinquedo do parque da Disney que tem o mesmo nome.

A fotografia também é lindíssima. Ela é bem clara na medida do possível, escura apenas nos momentos certos, e nos apresenta praias muito bonitas e um mar maravilhoso. Dá ainda mais gosto de assistir ao filme por conta disso. É um colírio para os olhos.

A trilha sonora. Eu sou completamente apaixonada pela trilha sonora de Piratas do Caribe. É preciso tirar o chapéu para o compositor Hans Zimmer, responsável pela trilha sonora da franquia, pois ele conseguiu criar músicas que nos animam, nos emocionam e nos fazem entrar de cabeça naquela história. Realmente sensacional.


Johnny Depp continua fantástico como Jack Sparrow. É possível enxergar o mesmo Jack do primeiro filme em todos os demais e sem que ele perca a graça. Bom, para mim não perdeu; continuo dando risada das caras, dos trejeitos e das piadas, apesar de achar que o roteiro exagera em algumas cenas, como a cena do roubo do banco.


O novo casal romântico do filme, Henry Turner e Carina Smith, interpretado por Brenton Thwaites e Kaya Scodelario, deixou a desejar para mim. A Kaya é excelente atriz e deu conta do recado, mas achei o Brenton meio travado, meio sem expressão. De qualquer forma, o casal não empolga. Eu não me peguei torcendo desesperadamente por eles no filme. Não há química entre os atores e a história de como eles se apaixonam não me convenceu. Não dá nem para comparar com o casal William Turner e Elizabeth Swann. E se a intenção era fazer os fãs deixarem de lado o primeiro casal e se apegarem a este, não deu certo no meu caso.


Geoffrey Rush continua muito bem como o capitão Barbossa que, na minha opinião, é o melhor antagonista que Jack Sparrow já teve. Sem o ar sombrio e assustador dos demais vilões da franquia, Barbossa é o típico pirata que só pensa em se dar bem na vida. Tudo que ele quer é conforto e dinheiro, mas Jack sempre está em seu caminho. Ainda assim, dá até para sentir que, após tantas aventuras e embates juntos, Barbossa até goste de Jack. As cenas entre os dois sempre me fizeram dar risada, a química entre os atores é muito boa. Talvez por isso Barbossa não tenha realmente morrido no primeiro filme e permanecido até o final da franquia (bom, a Disney disse que esse era o último filme da franquia).

Falando na morte do Barbossa, o personagem teve uma grande reviravolta nesse filme. Sempre egoísta e só pensando em si mesmo, o pirata, ao descobrir que Carina era a filha que ele tinha abandonado há tantos anos, desenvolveu um afeto por ela e até morreu para poder salvá-la. Achei um final bem surpreendente para o personagem e bonito até, mas não me convenceu muito, talvez por nunca ter visto nos outros filmes o Barbossa demonstrando afeto por ninguém.


Javier Bardem também atuou muito bem e compôs um vilão bem intimidador e assustador, que era de fato a proposta do filme. O Capitão Salazar é ainda mais cruel e implacável do que Davy Jones (Bill Nighy) e, ao contrário deste, não tem amor por ninguém; tudo que ele quer é vingança contra Jack.

Aliás, o momento em que o Capitão Salazar revelou o motivo de querer vingança contra Jack rendeu cenas muito interessantes, as tão aguardadas cenas em que Jack Sparrow aparece novinho, no início da sua carreira como pirata. 


Preciso dizer que o efeito especial que rejuvenesceu Johnny Depp é sensacional. Muito bem feito mesmo. Você realmente acredita que está vendo Jack Sparrow uns 20 anos mais jovem. E é muito interessante ver o evento que fez do jovem pirata Jack o Capitão Jack Sparrow. Descobrimos nessa ocasião que Sparrow foi o apelido que ele ganhou a partir de tal ocasião. E desde então passou a ser conhecido como Jack Sparrow.

Nesse flashback da história entre o Capitão Salazar e Jack Sparrow, eu detectei algo confuso no roteiro. No segundo filme da franquia, Tia Dalma diz que ela e Jack negociaram aquela bússola dele, dando entender que ele a conseguia com ela. Já nesse quinto filme, durante o flashback, é mostrado que Jack ganhou a bússola do capitão do navio em que ele estava. Isso me deixou em dúvida quanto à origem de tal bússola.

Agora, o que mais me intrigou e empolgou durante o filme: a volta de William Turner e Elizabeth Swann. O casal não aparecia desde o final do terceiro filme, que, na minha opinião, entregou um final muito ruim para eles. No final de tal filme, Will se torna o novo capitão do Holandês Voador, substituindo Davy Jones, que havia sido morto por ele, e é condenado a só poder pisar em terra a cada 10 anos. Além disso, como sua missão era transportar as almas daqueles que morriam no mar para o outro mundo, Elizabeth não poderia acompanhá-lo. Moral da história: os dois terminaram a trilogia inicial tecnicamente separados.


No entanto, o terceiro filme tem uma cena pós-créditos em que Elizabeth espera por Will numa ilha com um menino ao seu lado. Esse menino é o filho deles, Henry, que, no quinto filme, dedica sua vida a quebrar a maldição do pai. E ele consegue. No final no quinto filme, Henry quebra a maldição de Will e ele volta para a família. 


Em relação às participações de Orlando Bloom e Keira Knightley, Orlando aparece logo no início do filme conversando com o personagem Henry e no final, quando a maldição é quebrada e Will volta para sua família. A participação de Keira é muito pequena, sua personagem apenas aparece na ilha no final e dá um beijo em Will. Detalhe que a atriz não diz uma única palavra no filme.

O filme tem cena pós-créditos. A cena pós-créditos mostra Elizabeth e Will na casa deles, eu suponho, e dá a entendeu que possa haver um novo filme da franquia, pois sugere que o vilão Davy Jones está de volta como resultado do fim da maldição de Will. Agora é aguardar para ver se tal cena quis dar motivos para uma continuação ou não significou nada demais.

Confesso que adoraria ver mais de Elizabeth Swann e Will Turner numa sequência. Mas achei que o quinto filme fechou tão bem a história desses personagens que talvez não fosse bom mexer nela de novo, correndo o risco de estragá-la.

Enfim, eu amei Piratas do Caribe 5. Saí do cinema muito empolgada e me diverti bastante durante todo o filme. A franquia é toda assim; apesar dos altos e baixos, dificilmente você vai sair triste e desanimado após assistir a um filme de Piratas do Caribe. Antes sairá pronto para encarar as aventuras da sua própria vida com o mesmo bom humor, disposição e resistência do anti-herói mais amado do cinema: Jack Sparrow. Desculpe, CAPITÃO Jack Sparrow.

Obs.: Pela primeira vez, desde o primeiro filme da franquia, Jack termina a bordo do grande amor da sua vida: o Pérola Negra. O navio, que havia sido encolhido no quarto filme, volta à sua forma original no quinto filme e retorna para as mãos de seu verdadeiro capitão.

Obs2.: A participação de Paul McCartney no filme também é pequena. O músico interpreta o tio de Jack Sparrow, chamado de tio Jack, e só aparece brevemente na parte do filme em que o pirata está preso.





Luise Mara
Luise Mara

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