Todo Dia e Outro Dia: dois vieses sobre uma história de amor que enxerga além das aparências

Resultado de imagem para namorados

12 de junho nos remete quase que instantaneamente ao amor. Em homenagem ao Dia dos Namorados, trazemos não apenas uma, mas duas dicas de leitura para os corações apaixonados: Todo Dia e Outro Dia, ambos do escritor norte-americano David Levithan.

Autor de romances juvenis, Levithan é conhecido por obras com temáticas LGBT (como Garoto Encontra Garoto e Dois Garotos se Beijando). Já escreveu, inclusive, um livro em parceria com John Green, chamado Will & Will. Suas histórias sempre ressaltam o poder do amor, da amizade e das relações humanas, além de problematizarem questões importantes, como preconceito, busca por aceitação, construção da própria identidade e individualidade.


Os livros Todo Dia e Outro Dia nos apresentam A, alguém que inexplicavelmente acorda todo dia em um corpo diferente. Pessoas gordas, magras, nerds, vaidosas, invejadas, solitárias, viciadas, confiantes, indecisas. Garotos, garotas, inclusive alguém com gênero diferente da sua formação biológica. Nunca o mesmo corpo. Sempre uma pessoa com a idade cronológica igual à sua.

Todo dia A é uma nova pessoa, logo, todo dia ganha uma nova vida, da qual novos integrantes fazer parte. Devido a isso, A teve que aprender a não se apegar às pessoas, pois sabia que no dia seguinte não as veria mais (na verdade, não teria mais ligação alguma com tais pessoas, pois deixariam de ser pai, mãe, amigo(a), namorado(a), sendo substituídas por novas figuras). Por isso, apegar-se passou a ser visto como uma possibilidade de sofrimento.

Porém isso muda quando A conhece Rhiannon, uma garota de 16 anos envolvida em um relacionamento conturbado (e por que não dizer abusivo?) com Justin, que, com sua personalidade forte e explosiva, impõe determinadas regras (algumas explícitas, outras implícitas) ao namoro. Algo nela desperta os seus sentimentos mais profundos, o que faz com que A queira loucamente viver com ela todos os dias da sua existência. A partir de então, A vai fazer de tudo para reencontrá-la diariamente e tentar levá-la a compreender essa sua condição física transitória e esperar que os sentimentos de ambos sejam capazes de superar todo e qualquer limite.


Por meio de narrativas leve, fluida, divertida e tocante, em ambos os livros, David Levithan traz à tona os dilemas vivenciados pelos adolescentes, como a sensação de não pertencimento, as frequentes mudanças de humor e de vontades, o ímpeto por experimentar novidades, mas também o medo de sair da zona de conforto, e, principalmente, o conflito de identidade pelo qual todos passam: o desejo de ser outra(s) pessoa(s), gerado pela inconformidade com a própria realidade ou mesmo pela curiosidade por possuir outra(s) existência(s), paralelamente à necessidade de se conhecer, saber quem é e encontrar aquilo que corresponde à sua essência, tudo isso entremeado por tentativas de autoafirmação, que corroboram para a construção de uma imagem do indivíduo, que se faz a partir de relações tanto duradouras quanto efêmeras (ou nas palavras do poeta Vinícius de Morais: “que seja infinito enquanto dure”).


Além das questões vivenciadas tipicamente na adolescência, o autor problematiza a estereotipação e a construção de moldes baseados em arquétipos, buscando demonstrar que os sentimentos são superiores a ideologias, justamente por isso não enxergam corpo, gênero, etnia, status, condição financeira ou qualquer outro conceito social ou culturalmente formado. Ou seja, o livro demonstra que o amor (e todo e qualquer sentimento real e verdadeiro) transcende a matéria, simplesmente existindo de uma pessoa para outra, independente da condição física e existencial de ambas.

Enquanto Todo Dia traz os acontecimentos narrados por A, em Outro Dia, é a voz de Rhiannon que apresenta a mesma trama. Dois olhares acerca de uma história incrível e inesquecível.

Share on Google Plus

ENQUETE