Crítica | A prisão da seita em O Mestre


Quando pensamos em nós mesmo, temos a impressão de estarmos seguindo nossas próprias vontades, escolhas, e desejos. Porém, sempre somos guiados por alguém ou algo como religião, amigos, família ou até mesmo o Estado. Paul Thomas Anderson em O Mestre (2012) nos diz bem sobre isso, quase propondo a ruptura.



O filme conta a grande jornada de Freddy Quell (Joaquim Phoenix) desde sua passagem pelo exército dos Estados Unidos invadindo as ilhas do pacífico controladas pelo Japão. Ele, desde sempre, é marcado por sua sexualidade expressiva, criar bebidas que causam a suposta morte de um homem, e estar bêbado por causa delas. Quando volta para os EUA, tentando arrumar emprego, se torna agressivo em todas as suas tentativas de se manter dentro da linha. Até que, muito embriagado, acaba dormindo dentro do barco de Lancaster Dodd (Philip Seymour Hoffman), que se diz doutor, engenheiro e escritor. Quell aceita o emprego oferecido por Dodd, que comumente chamado de Mestre por aqueles que trabalham, são de sua família ou o adoram. Não sabendo ao certo com o que trabalha, Quell é submetido por Mestre a diversos testes de pergunta e resposta, onde supostamente dialoga e retoma lembranças e um passado que nunca viveu.



Dodd é o líder de uma seita chamada “Cause”, onde ele alega ter descoberto o segredo para acessar tais lembranças, pois nos conectamos com nossos seres anteriores a nós, e que voltamos continuamente para o mundo com outro corpo, mas ainda contendo as memórias, as virtudes, os vícios e as atitudes de nossos seres do passado. Ele acessa essas vidas passadas, de acordo com o Mestre, fazendo o contrário da hipnose, “acordando” estas pessoas para reviverem suas vidas passadas.




Após conviver intensamente com Dodd, Quell começa a perceber que tudo aquilo é uma farsa, que o Mestre não pode cura-lo de ser alcoólatra, não pode fazer isso com ninguém, e entra em contradição consigo mesmo e com a Causa. Quando supostamente seus surtos agressivos são curados, ele espanca um homem que fala mal do novo livro de Lancaster e foge para rever a mulher que ama, Doris, tendo visto ela pela última vez logo depois de voltar da Guerra. Porém, ao chegar lá, encontra apenas a mãe dela, que diz que ela se casou com outra pessoa e tem dois filhos. Após isso, ele rompe de fato com a Causa, e vai vier sua vida normalmente.



Paul Thomas Anderson nesse filme discute o papel das lideranças nas nossas vidas, mais profundamente, da religião que serve para nos iludir, alegando que consegue resolver nossos problemas, mas é apenas um placebo. Na visão do diretor, essas seitas que são feitas para nos enganar nos cercam da vida, fazendo com que não enxerguemos o real desfrute dela, que é viver.
Leonardo Gütschow
Leonardo Gütschow

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