Crítica | A teoria da revolução em O que é Isso, Companheiro?

Muitos filmes tentam demonstrar que apenas o amor é a solução para vencer os maiores obstáculos, que ele é capaz de fortalecer e inspirar-nos a fazermos o que achávamos antes impossível. Na visão de Bruno Barreto em O que é Isso, Companheiro (1997), isso é bobagem, deve se revolucionar e ter muita luta, pois só ela muda a vida.



O filme conta a história do sequestro do embaixador americano  Charles Burke Elbrick (Alan Arkin) encabeçado pelo Movimento Revolucionário 8 de Outubro, o MR-8, que na época da ditadura empresarial-militar brasileira incentivava a luta armada de guerrilha e o roubo aos bancos, alegando que “não era um assalto, estavam expropriando a acumulação de dinheiro dos bancos”. Em uma dessas investidas bem sucedidas, Fernando (Pedro Cardoso), que é apelidado de Paulo para ter outro nome frente às autoridades, da a ideia de um sequestro, assim eles seriam obrigados a dar liberdade nas mídias de falar sobre os movimentos de resistência ao regime, e a pessoa perfeita para ser sequestrada seria o embaixador americano.



Eles executam o plano com perfeição e levam Charles até uma casa no subúrbio do Rio de Janeiro e anunciam na TV que se o governo não se anunciar ou se recusar a libertar 15 presos políticos e imigra-los para fora do país. No mesmo dia, é anunciado e lido na televisão a mensagem deixada pelo MR-8 no carro do embaixador com suas exigências. E assim começa a espera.
Durante estas 48h que se passam do sequestro até a resposta do governo, tanto a inteligência da polícia quanto os sequestradores começam a entrar em alguns dilemas morais, como o torturador que não consegue dormir a noite, pois está ali por ordens, não porque vê aquilo como certo, Fernando/Paulo que começa a ficar íntimo de Maria (Fernanda Torres), o que quebra com a disciplina que deveriam ter os revolucionários.



Passadas as 48h do anuncio feito à televisão, prestes a matar o embaixador, Fernando/Paulo recebe a notícia que o governo havia aceito os termos estabelecidos pelo MR-8, que iriam soltar os 15 presos políticos e que queriam o embaixador solto. Depois de libertarem Charles, todos os membros são capturados alguns meses depois, tendo o assassinato de Toledo (Nélson Dantas) e Jonas (Matheus Nachtergaele), dois membros da ALN (Aliança Nacional Libertadora) que ajudaram no sequestro. Depois de um outro sequestro, o do embaixador alemão Sr. Ehrenfried Anton Theodor Ludwig Von Holleben, que exige a libertação de 40 presos, os membros presos do MR-8 são extraditados para a Argélia, onde passariam o resto da ditadura.




Em situações difíceis, não podemos esperar que os outros tenham compaixão conosco, que se identifiquem conosco e nos façam o bem, pois os interesses econômicos e de poder são mais fortes, por isso a luta deve ser grande se queremos mudar a sociedade e o regime que vivemos, de acordo com Barreto. O sucesso só pode vir se mostrarmos que o povo que deve ter o poder, e não um pequeno grupo que nos fazem acreditar que não podemos.
Leonardo Gütschow
Leonardo Gütschow

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