The Leftovers | 3° Temporada (crítica) Uma Jornada Inesquecível



The Leftovers encerra sua série de forma grandiosa e bela. Não deixando espaço para dúvidas ou descontentamento. É uma bela maneira de terminar uma jornada que todos nós, assim como eles começamos.

É preciso entender que quando se trata de The Leftovers, sua mente deve estar aberta a toda e qualquer possibilidade. Até mesmo a mais simples. Não há por que ter as respostas de tudo. E seu final apenas prova isso. O que contribui para uma conclusão digna e sem vírgulas. É uma série onde o que mais importa são os caminhos que se toma, a viagem, e não desvendar todos os mistérios. Afinal, há sempre beleza no desconhecido. 


Em sua terceira temporada voltamos novamente em Miracle, uma cidade que foi "poupada" (ou não), três anos após o ataque do grupo de Megan com os remanescentes a cidade. Muitas mudanças ocorreram em Jarden  e nas pessoas que ali moram. 


Cada um encontrando seu propósito baseado em acontecimentos explicáveis ou não. Seja Matt, Michael ou John, onde veem em Kevin um Messias que os faz agir pela fé.

Fé é um dos principais pontos dessa season. Até que ponto chegamos pela fé. O quão longe podemos ir? Quando o que acreditamos se torna maior que a moral, o senso comum e o que é certo. Não fomos longe demais? O episódio de Matt (ep 5) mostra que muitas vezes nossa crença é uma via de uma mão e nos enganamos ao pensar que há algo do outro lado apenas por que achamos merecer. Muitas coisas são feitas em nome da fé. Quando na verdade são feitas a nosso próprio benefício.


"Tudo que você fez foi por que você achou que Eu estivesse vendo. Que Eu estivesse julgando você. Mas Eu não estava. E não estou. Você não fez nada por mim. Fez por você mesmo” – David Burton (Deus)


A jornada de Kevin finalmente conclui e encerra sua ida e vinda ao mundo dos mortos. Desde a primeira temporada observamos um homem perdido, apenas deixando-se levar pelo que as pessoas queriam. Se tornando sempre o que elas precisavam mas nunca mergulhando de cabeça, preso em seus próprios medos. O que o fazia fracassar e constantemente decepcionar-se. Afinal não há verdade em fingir. Não há sucesso em uma tarefa mal realizada.


Finalmente chegamos há um dos episódios mais conclusivos da série. É preciso ir até o mundo dos mortos para obter o mínimo de clareza sobre o que esta realmente acontecendo. E o que está é que no final do dia, somos apenas humanos e o maior problema vem muitas vezes de algo muito simples. Kevin é humano, ele erra. Seu maior erro é não viver, fugir e ser covarde. O que o fez perder seu grande amor. E foi preciso passar por tudo isso para chegar a verdade. 


"Quero ir para casa”- Kevin

“Você já disse isso antes e, ainda assim continua saindo de casa e vindo para cá" – Petti


Nesse episódio temos a morte do Kevin das temporadas anteriores. Temos a descoberta que sempre se tratou sobre ele e sua jornada de auto conhecimento. 

"No que você acredita, Kevin?"


Um belo episódio com um maravilhoso questionamento.

"E agora?"


Enfim, chegamos a Nora. A personagem que mais sofreu em sua perda. Onde vimos e presenciamos cada canto de sua angústia e sofrimento. Vimos uma mulher quebrada, tentando voltar a viver e encontrar felicidade. Mas como seguir em frente se a dor é grande demais. Se o desconhecido é intragável? Foi preciso atravessar e ver por si mesma a verdade para enxergar onde pertencia de verdade. Particularmente achei brilhante haver um outro lado. Haver perda entre os que se foram. Por que ninguém nunca pensou isso. Apenas existe e não há porque haver mais explicação. Acreditemos ou não, o mistério é a falta de provas e novamente fé. 

 
O reencontro entre Nora e Kevin não poderia ser mais sincero. Ambos precisavam viver e encontrar-se sozinhos para finalmente poderem ser o que precisavam um para o outro. Uma metáfora crua onde foi preciso deixar todo o passado e pecados para trás para começarem a viver de verdade.


The Leftovers se consagra em seu terceiro ano. Redimindo seu criador (Damon Lindelof-Lost). Sem medo de abordar cada parte feia e bonita do ser humano. Sem medo de explorar o sobrenatural e entregar respostas e deixar dúvidas no ar. Foi uma bela jornada. E nós observamos algo que definitivamente não deve ser esquecido.


The Leftovers sempre ocupará uma parte grande em meu coração e espero que como aconteceu comigo, a série encontre um lugar no seu coração também.

Curiosidade: Sua terceira e última temporada foi considerada pela critica especializada não só como uma das melhores produções para a TV dos últimos anos, mas também como uma das melhores produções para a TV de todos os tempos e possivelmente a melhor série dramática da década. Conseguindo no Metacritic incríveis 98 de 100, baseada em 17 críticas e no Rotten Tomatoes uma média de 98% de críticas positivas, baseada em 35 criticas com uma média de 9.43 (fonte. Wiki)


“O porto estava agitado, com rostos estranhos. Amanhecia quando ele encontrou um velho marujo...disposto a partir num barco pelo ouro que lhe restava. Um barco com velame tipo Bermuda... de nome O Misericordioso... de velas rasgadas, bússola quebrada... e casco tão podre que mal cortava as ondas. Mas era o suficiente para ele fugir. Uma hora depois, a quase 2km do porto... ele voltou a pensar nela. Ele a imaginava sozinha. Agora, ela já teria encontrado a casa vazia. Ela já desconfiava... e agora sabia que ele era um covarde. Um covarde com uniforme de homem valente. Valente para cruzar dois oceanos e um continente para achá-la... lutar com inúmeros inimigos e, no fim... ele ficou com muito medo. Com muito medo dela... de se deitar ao lado dela... de ser consolado por ela enquanto chorava... de lhe mostrar que era pequeno... de ela ver isso ao tocar seu rosto... e sussurrar palavras em seu ouvido. Tudo era um pesadelo. Só o que ele sabia fazer era fugir. Ele respirou fundo... sentiu o sal na língua... e fechou os olhos... inclinando-se enquanto o Misericordioso acelerava... em direção ao horizonte. Ele estava só... e tudo estava bem.” – Kevin (ep. 7)

Juliana Xavier
Juliana Xavier

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