Análise | Hellblade: Senua's Sacrifice


Desde que a Ninja Theory anunciou que em Hellblade: Senua's Sacrifice teria uma personagem principal com distúrbios mentais, muitos (inclusive eu) não entenderam como o jogo abordaria a doença. Sem sombra de dúvidas, a desenvolvedora encontrou um meio muito interessante de dar profundidade durante nossa jornada, que não tem uma história para qualquer um.


A protagonista se chama Senua, uma jovem e talentosa guerreira celta, que sofre de sérios problemas de psicose, e após um agressiva e cruel invasão Viking em seu lar fica extremamente traumatizada. Em Hellblade, acompanhamos a jornada da protagonista até Hellheim, que corresponde ao inferno da mitologia nórdica. Mas já chega de falar sobre a história, já que todo o resto, o jogador deverá descobrir sozinho.

Ainda assim, a história de Hellblade é o maior destaque do game, apresentando uma campanha totalmente linear, e totalmente imersa na mitologia nórdica, com ligações diretas a Odin, Loki e ao Ragnarok, o fim de tudo. Sem falar dos distúrbios de Senua, que são essenciais para a narrativa. Infelizmente, o início de game é bem lento e só fica interessante a partir do que corresponde ao segundo ato do jogo.


Hellblade não apresenta HUD, não há barra de vida, ou qualquer tipo de elemento que irá te auxiliar durante sua jornada. E está aqui um dos pontos diferenciais e únicos do game, sua maior ajuda nas terras nórdicas são as vozes que Senua escuta, mas nem sempre elas dizem a verdade, e caberá ao jogador decidir o que fazer. Nesses aspectos, a Ninja Theory acertou em cheio, solucionando o modo de como sua doença afeta a personagem e também em nosso gameplay.

Por falar em gameplay entramos na questão do combate do game, que de perto não é um de seus pontos fortes, mais ainda sim, as batalhas acontecem no tempo certo. Nesses momentos, os confrontos são bem bonitos, com sequências de combos e as vezes temos slow motion, quando sua “habilidade especial” está carregada. Os chefões do jogo não são muito desafiadores, mas cada batalha exige uma abordagem diferente, e isso inclui os inimigos normais, que no total são de 5 tipos diferentes. O principal problema nos combates se deve pela câmera e de como ela se posiciona em diferentes situações, fazendo com que o jogador fique encurralado acidentalmente em certas ocasiões.


Os puzzles (Quebra-cabeças) do jogo são bem feitos e adaptados com a região, inimigo e contexto em que nossa jornada está. A maioria desses aparece somente em pontos chave do game, enquanto o tipo mais “normal” é extremamente repetitivo e cansativo. Este puzzle se baseia na busca de diferentes runas nórdicas espalhadas pelo cenário, e tem por objetivo, destravar portas com algum tipo de magia. No início pode parecer interessante, mas com o decorrer da história fica muito tedioso.

Há também alguns “secrets” (segredos) espalhados em Hellblade, mas não são difíceis de se encontrar. Estes por sua vez, revelam informações sobre personagens, deuses e acontecimentos. Embora sejam fáceis de se achar, não podemos dizer isso sobre ouvi-los, já que sempre nestes momentos, as vozes da cabeça de Senua também resolvem falar, gritar, sussurrar e chorar com você.


Graficamente Hellblade é bem bonito, ganhando grande destaque na animação facial e na captura de movimentos, feita pela talentosíssima Melina Juergens, que consegue passar tantas emoções e variados sentimentos, representando cada momento de tristeza, sofrimento e alegria de Senua. A qualidade de som também deve ser destacada, pois possui uma ótima trilha sonora e a bela utilização do áudio 3D, simulando o que o ouvido humano consegue escutar. A dublagem do game é impecável e uma das melhores que já ouvi, dando aflição e agonia em certos momentos de tão imersiva que é.


CONCLUSÃO | Nota 9

Hellblade: Senua’s Sacrifice não é para qualquer um, sua história é bem pesada e complexa, e não deve agradar a todos os públicos, mas a forma de como a Ninja Theory aborda a psicose de Senua, que é feita de uma forma maestral pela desenvolvedora, merece uma chance de qualquer jogador. O game também não é só perturbador como nos ensina diversas lições de vida e exige que quem joga confie em seus sentidos e nas vozes que a protagonista ouve. A bela experiência visual e sonora também é excelente, mas não é um game para quem não gosta de desafios ou que quer muita ação. Apenas jogue Hellblade se estiver a procura de uma experiência única, sem uma narrativa rápida, mas com muita emoção e uma bela jornada em Hellheim.






Felipe Vidal
Felipe Vidal

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