Análise | Marvel vs Capcom: Infinite



Anunciado durante a PlayStation Experience 2016, depois de 9 meses de espera e muitos 
palpites sobre a lista final de lutadores, Marvel vs Capcom: Infinite finalmente foi lançado.


Falando em lutadores, é importante dizer que o elenco é um pouco menor pelo lado da Capcom, já que a Marvel possui mais personagens em seu catálogo. Infelizmente não temos a presença dos X-Men ou do Quarteto Fantástico no game, o que pode ser explicado pela baixa recepção dos filmes, pois a Casa das Ideias, em diversos momentos usa e abusa de forma exagerada das mesmas piadinhas e frases de efeitos de seus longas.

O modelo de personagens da Marvel também é baseado nos filmes, exceto por um Capitão América totalmente desproporcional, mas de resto, está bem representado. Quando a menina dos olhos da Capcom foi anunciada na demo, Chun-Li gerou revolta por parte da comunidade, devido a seu design horrível, que mais tarde foi arrumado.



A dublagem do game não é a das melhores, mas até combina com alguns personagens, e a Capcom poderia ter liberado as vozes japonesas para alguns de seus lutadores, como Ryu, Chun-Li, Zero, Morrigan e outros, enquanto a dublagem de Dante, Spencer, Vergil e Haggar seria em inglês, do mesmo jeito de MVC3, mas infelizmente temos que nos contentar com Strider Hiryu com voz de malandro e um Ryu totalmente erudito.

A campanha do game tem cerca de três horas de duração e era prometida como algo grandioso, que iria explorar de forma homérica o universo da Marvel, e isso realmente acontece, mas de um jeito bem mais simplificado.  Na trama, o vilão Ultron se funde com Sigma com a ajuda de duas das seis Joias do Infinito, e deste modo, é realizado o crossover entre os mundos.



Tudo começa depois da chamada Convergência ( momento em que os heróis de ambas as empresas se unem após a fusão dos vilões). Depois disso, nosso objetivo é aparentemente simples: localizar e capturar as quatro joias do infinito que restam, cada uma espalhada por um reino diferente, com a ajuda de um insano e improvável aliado.

Um dos grandes problemas da história do jogo é a péssima direção de diálogos e cenas. Quase sempre a câmera corta para o rosto de um personagem que apenas diz uma frase de efeito e está tudo certo. A união dos personagens também não é bem explicada, não há uma explicação de como eles se conhecem, e nem porque fazem determinadas escolhas, eles simplesmente estão ali, preocupados em derrotar o mal e fazer piadas nada engraçadas uns com os outros.

Outro problema é a incoerência da trama, já que em todo o momento, os heróis agem de modo desesperado para salvar a Terra, mas ela está vazia aparentemente. Em Xgard vemos apenas soldados de Ultron Sigma e em New Metro City ( fusão de Metro City e New York) a cidade está completamente vazia.

Outro ponto negativo da campanha é que a grande maioria das lutas são feitas contra os robôs de Ultra Sigma e não contra outros personagens, o que é muito estranho pelo grande número de lutadores.





 Os melhores momentos da campanha são realizados quando os heróis se dividem em núcleos específicos para capturar as Joias do Infinito, criando uma relação interessante entre alguns personagens de mesmos grupos, como Capitã Marvel, Nova, Rocket Raccoon, Gamora, Hiryu e X. Sem contar no emblemático duelo entre Ryu e Hulk, onde o lutador da Capcom é representado como uma Viúva Negra de kimono ao tentar ajudar o Gigante Esmeralda a controlar sua raiva.



Os vilões estão são bem introduzidos e dão conta do recado. O principal antagonista é a fusão de Ultron e Sigma, formando um belo e poderoso par. Também temos a presença de um ilustre convidado que "joga dos dois lados" e dá muito trabalho. A explicação sobre as Joias do Infinito são feitas de um jeito excelente e simples, tudo narrado por um especialista no assunto

Ao tentar criar um modo campanha ambicioso, a Capcom falha novamente e repete os erros de "A Shadow Falls", de Street Fighter V . As telas de loading duram cerca de doze segundos e acontecem a todo momento, seja iniciando uma luta ou uma cutscene de trinta segundos, sendo mais um ponto negativo 

Saindo da campanha, partimos para o melhor de Marvel vs Capcom: Infinite, sua jogabilidade. A Capcom segue a velha receita de bolo e vai adicionando melhorias que realmente fazer a diferença no produto final. Esqueça as lutas em trio e diga olá para as duplas, que possuem um dinamismo maior. 



Falando em duplas, elas nunca foram tão importantes. No novo game podemos alternar de personagem a qualquer momento, com a opção de montar combos grandiosos. Sem falar que cada personagem ganhou várias variações para seus golpes, porém, o número de botões de ataque diminuiu, deixando a experiência ainda mais desafiadora.

Voltando a falar das Joias do Infinito, elas são a melhor adição a jogabilidade. E são muito simples de serem usada, funcionando assim do mesmo modo que seu especial padrão. A Joia do Tempo por exemplo, permite a realização de custom combos; já a da Alma, pode reviver um personagem da sua dupla, se o mesmo tiver sido derrotado.

O modo online de MVCI está excelente. Com o sistema de rollback, o multiplayer é extremamente fluido e até as partidas contra a máquinas são muito divertidas. O modo Arcade ainda é o destaque no offline, mas não temos as famosas cenas cômicas pós luta.



Parece que a Capcom aprendeu com alguns - dos vários - erros de Street Fighter V, e nos entregou um jogo completo: com história, arcade, modo versus, treinos, seleção de missões e um multiplayer online excelente. Tudo o que é preciso para que um jogo de luta tenha o mínimo de qualidade.

Conclusão 

Marvel vs Capcom: Infinite tenta criar uma campanha grandiosa e falha diversas vezes, embora ainda consiga resgatar momentos bem divertidos e satisfatórios. A jogabilidade excelente, somada a seu multiplayer extremamente divertido pode faze com que o título ainda vingue por uns bons anos, mas infelizmente, não é a experiência que os fãs de uma ótima saga esperaram por tantos anos, ganhando nota 7,9 em nosso review.

Marvel vs Capcom: Infinite está disponível para Xbox One, PlayStation 4 e PC. A análise foi feita com uma cópia de Xbox One cedida pela Capcom.



Felipe Vidal
Felipe Vidal

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