Crítica | AHS: Cult - Quanto maior a altura, maior é a queda



Foi com meses de mistério que finalmente o tema da 7° temporada de AHS foi revelado. Cult veio prometendo chocar e expor temas latentes do cenário atual, principalmente após a eleição de Donald Trump. Mas enquanto todas as séries fazem críticas veladas ao governo, AHS não poupa palavras do começo ao fim. 

Sem dúvidas toda essa temporada foi usada para fazer diversas críticas seja de âmbito político ou social e por muitas vezes os diálogos eram verdadeiros tapas na cara. Mas o que começou na noite da eleição, se desviou para um culto sem propósito além de derramar sangue e incitar revolta. Mas esse não era o propósito? Sim. Mas até que ponto isso é válido? Quando perceber que algo foi longe demais?

Bom, é só assistir a toda temporada e saberá. 


Medo definitivamente é algo que move os seres humanos, seja para o bem seja para o mal. E é aqui que Kai entra. Um jovem perturbado, manipulador e altamente sociopata que soube capturar as pessoas certas em seus momentos de vulnerabilidade e usar isso ao seu favor.


E tudo estava funcionando até o episódio em que conhecemos Valerie Solanas, uma feminista radical (Lena Dunham). Não há o que falar da atuação de Lena. Ela é fantástica e cativante. O problema jaz no dito plot twist mais a frente em que na verdade Kai é apenas uma marionete nas mãos de uma única sobrevivente de um culto feminista fundado por Valerie. Mas o pior plot fica para nossa protagonista feminina Ally, que não por vingança mas por um trabalho “infiltrado” no FBI desmascara Kai e todo seu culto prestes a realizar uma chacina intitulada "a noite dos Cem Tates". A personagem conseguiu sua vingança, mas não soou justa ou válida. Soou apenas insossa.


E como se não bastasse a série não se dar ao trabalho de ao menos ser menos óbvia ou preguiçosa quanto ao final. Tudo beirou ao mal gosto, sem noção e quase sem graça comparado a toda temporada. 


Depois de tantas reviravoltas, tantas mortes, tanto sangue derramado. Qual a mensagem certa que podemos tirar disso tudo? Existe horror na realidade ou vimos 11 episódios de puro reformo de estereótipos? 


A temporada, segundo Murphy "Não é sobre Trump ou Clinton. É como alguém pode usar o vento para subir ao poder. Usar as vulnerabilidades das pessoas, seus medos ao sentir que o mundo está pegando fogo. É a ascensão de um culto durante uma sociedade dividida."


Mesmo com a morte de Kai no final, ele não saiu ganhando? Ele destruiu a vida de centenas de pessoas para que? Apenas para que uma encontrasse sua "vocação" no mundo da política? Pessoa cujo passado se tornou tão sangrento e impune quanto o dele? Foi um grande círculo vicioso, sem final feliz.
É uma pena ver uma temporada de fato, grandiosa, ser encerrada de forma desleixada e contraditória. Em busca de chocar e se manter no gênero de horror Ryan Murphy perdeu o toque de sensatez? A temporada mais possível e próxima da realidade que AHS apresentou até agora, se converteu em um show de mortes e mensagens cruzadas. 


Não veja com qualquer pretensão Cult. Mas de uma maneira ou de outra é impossivel evitar a decepção ao terminar. 

Vamos esperar que o próximo ano seja melhor. Que tal uma ilha assombrada?


American Horror Story já está renovada para duas temporadas.
 

Juliana Xavier
Juliana Xavier

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