Crítica | Me Chame Pelo Seu Nome - Um romance excepcional sobre amadurecimento e descobertas - PREMIERE LINE

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26 de fevereiro de 2018

Crítica | Me Chame Pelo Seu Nome - Um romance excepcional sobre amadurecimento e descobertas


Me Chame pelo Seu Nome é a adaptação do homônimo romance do escritor egípcio André Aciman, e conta a história do jovem Ellio (Timothée Chalamet), durante sua temporada de férias na casa de seus pais, no verão de 1983 em Crema, Itália. Tudo começa quando seu pai (Michael Stuhlbarg), um professor de história, convida seu antigo aluno, Oliver (Armie Hammer) para ajuda-lo a pesquisar sobre a cultura grego-romana, e então, pouco a pouco ambos os protagonistas começam a se relacionar.



Chamar a obra do diretor Luca Guadagnino de apenas um "drama gay" seria um grande desrespeito ao filme, já que os protagonistas não ficam a todo instante amarrados a esse arco, e dão forma a outras experiências, principalmente Ellio, que está no auge de sua puberdade e tem uma breve relação com sua colega Marzia. Além disso, o envolvimento de Ellio e Oliver é criado de forma simples e sem estereótipos do gênero.



O filme possui um tom nostálgico que tivemos em algum momento de nossas vidas, principalmente na fase da adolescência. A história é contada com muita sensibilidade, tratada com delicadeza nos detalhes mais sutis e é feita de uma forma extremamente singela.

O roteiro, que também é de Luca Guadagnino consegue desenvolver muito bem os personagens centrais e coadjuvantes, sem pressa em prosseguir sua trama e ambientar o espectador naquele ambiente, que aos poucos fica apegado a aquele universo mostrado e se importa com tudo o que acontece ali.



Em contrapartida, essa lentidão que o roteiro tem em apresentar todos os personagens, suas tramas, núcleos e o conflito temático é o principal problema de Me Chame Pelo Seu Nome, que durante toda sua primeira metade não consegue desenrolar tão bem a sua narrativa e se torna um tanto quanto cansativo, com muitas cenas desnecessárias e sequências que não adicionam em nada. Porém, quando o filme resolve engrenar, toda espera vale a pena, e ele nos joga em um conflito excelente sobre amadurecimento, descobertas e se torna um ótimo romance para assistir.



As atuações são muito boas e Timothée Chalamet merece destaque, pois consegue transmitir de uma ótima maneira toda a insegurança e impulsividade de seu personagem. Armie Hammer não é só um simples rostinho bonito e aos poucos também se entrega ao personagem, como um homem preso a uma "carapaça" com diversas lamentações e receios do seu passado. Também é importante citar o pai de Ellio, vivido por Michael Stuhlbarg, que faz o papel de um pai extremamente gentil, compreensivo e acolhedor. Na parte final do filme há um monólogo entre ambos que é simplesmente sensacional, e sem sombra de dúvidas é um dos melhores diálogos que vi nos últimos anos em um filme.

A fotografia do filme também é linda, com planos abertos que dão destaque aos cenários exuberantes do interior italiano, utilizando-se de cores quentes para ressaltar o verão no ambiente e também a paixão dos protagonistas.



Conclusão



Me Chame Pelo Seu Nome é um filme muito bem dirigido, com boas atuações e um roteiro ótimo com muita sensibilidade e delicadeza que demora para se desenrolar, mas no final, nos entrega uma experiência romântica sensacional e que merece uma chance de ser assistida, ganhando nota 8.5 em nossa crítica.


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