Manhunt: Unabomber | Uma das melhores séries na Neflix que você não está vendo (crítica) - PREMIERE LINE

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sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Manhunt: Unabomber | Uma das melhores séries na Neflix que você não está vendo (crítica)


Pra quem gosta de séries de investigação criminal, caçada a criminosos vai com toda certeza ser fisgado por Unabomber. Que não é só mais uma produção do gênero, mas algo fresco seguindo uma linha já conhecida, mas que não bebe de uma fonte de repetições, onde até mesmo o dito mocinho tem suas camadas negativas e o final supostamente feliz, nos deixa com uma sensação de tristeza e pesar.

Vá em frente, não haverá arrependimentos. Mas sim, uma bela surpresa, somado a isso, baseada em fatos reais.


Unabomber narra os acontecimentos num período entre 1995 e 1997 que resultaram na captura do terrorista que levou 19 anos para ser pego pelo FBI. 


Nos primeiros cinco episódios acompanhamos toda a investigação, os erros, os acertos, que a equipe comandada por Don Arkrrman (Chris Noth) levou para chegar ao homem por trás do Unabomber. 

O protagonista da série, e também responsável pela solução da identidade do Unabomber, Jim Fitzgerald (Sam Worthington) nos leva quase que no seu ombro pelos enigmas e pistas do caso e por mais estranho que pareça, ao avançar da trama vemos o quanto Jim se aproximou e ao mesmo tempo se distanciou quando se travava das suas semelhanças com o Unabomber. Enquando Jim tinha uma carreira bem sucedida, mulher e três filhos. Ele não era ouvido. Ele não era respeitado e era vítima da cadeia de comando ao qual se reportava. Já Ted, um gênio, era recluso, mas se fazia presente, era temido, e sua palavra era ouvida. 


E nesses extremos entre um e outro podemos encontrar semelhanças mesmo que não em superfície, mas subentendidas a um olhar mais atento.


A série não perde o ritmo, com ajuda clara dos somente 8 episódios de 42 min cada. Conta sua história sem enrolação, sem plot twist mirabolantes mesmo que em algumas cenas, Jim tenha momentos que lembram "Dr.House" e saísse correndo pela sede do FBI com argumentos e respostas ao final de cada episódio.


Mas é em seu sexto episódio que a série alcança seu ápice. Intitulado "Ted", vemos a história pela perspectiva do Unabomber. Mas não como procurado pelo FBI e sim como a pessoa por trás do Unabomber, Ted Kaczynski (Paul Bettany). O que é de suma importância não só para a história mas para nós telespectadores.

 "Há sempre dois lados de uma mesma moeda". 


O episódio creio eu não é mal intencionado a nos levar a sensibilizar com o vilão da história. Não nos leva a desconstruir a imagem de terrorista e assassino. Mas sim mostrar que todos são acima de tudo humanos, por mais monstruosa que seja nossas ações. 


Todos tem uma história a ser contada. E que nesse caso, vemos pedaços da vida de Ted que possivelmente o levaram a ser quem se tornou. Seja seu começo precoce na escola e na universidade. Seja seu único amigo o trocando por uma menina. Seja sendo cobaia num experimento humilhante na Universidade (comandada por Henry Murray). Seja até mesmo seu irmão que mesmo agindo corretamente, foi a essa altura mal interpretado e sendo visto como traidor aos olhos de Ted. 

Acontecimentos que para um jovem gênio frágil e solitário firmou seu caráter, moldando casa vez mais seus medos, falhas e o modo como via o mundo e as pessoas. Só tendo segurança em suas obras, seus pensamentos e não no simples ato de socializar e ser aceito. Forçado a escolher o exílio e privado de interações sociais bem sucedidas. Descobrimos mais sobre a identidade do Unabomber e presenciamos momentos de humanidade, fraqueza e vício, onde um vislumbre do seu Eu criança só queria ser aceito e abraçado por alguém. 


Não me leve a mal, não há intenção alguma da série de te fazer simpatizar com Ted, ter pena dele ou desejar que ele saia impune. Afinal, o que ele fez foi errado e a série deixa claro que ele não sente remorso pela destruição e mortes que causou. Mas ao mesmo tempo é importante mostrar a história como ela realmente é. Onde há um lado bom e um lado ruim tanto nos heróis quanto nos vilões. 


Somos acostumados a julgar uma pessoa apenas pela superfície, pelos seus atos e o que vemos ou ouvidos sobre ela. Mas raramente procuramos conhecer a fundo alguém de verdade. É muito fácil condenar alguém, apontar o dedo e dizer "Ele é um monstro, mereceu o que teve". Mas o quão fácil fica julgar quando o lado humano dessa mesma pessoa é apresentado? Você ainda apontaria o dedo sem sentir ao menos empatia pelo lado humano mostrado? 


A justiça com gosto agridoce foi mais do que justa ao final da temporada. Apesar da sensação de tristeza deixada quase que desconfortável no peito.


Nos últimos dois episódios vemos a captura e o julgamento de Ted. Onde ele não só continuou sendo traído pelas pessoas a sua volta como foi vítima de sua própria ideologia, fazendo-o enfim acabar na solitária. Perdendo sua liberdade em defesa de sua crença Ted foi condenado a prisão perpétua. Mas o final do episódio deixa no ar que não só Ted acabou preso. Mas também James, que além de admitir concordar com a ideologia de Ted, permanecia refém das tecnologias como um simples sinal vermelho. 


Manhunt: Unabomber é excelente em passear pelos aspectos humanos de cada personagem com sensibilidade, mas sem poupar detalhes. Não escondendo nada do público deixando um saldo não só positivo mas também muito no que pensar



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