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3 de abril de 2018

Crítica "O Mecanismo" - A série que joga toda a merda no ventilador, finalmente chegou


A justiça tarda, e às vezes é falha


José Padilha apresentou seu novo projeto de forma tímida, sem dar muitos detalhes da nova produção em parceria com a Netflix, brasileira e que tratava do maior escândalo de corrupção nacional, a lava-jato. A série veio rodeada de mistérios, mas apostando alto no marketing e com um elenco digno de tirar o chapéu.


Mas chegou, e “O Mecanismo” é, pra mim, a segunda melhor obra de José Padilha, perdendo apenas para “Tropa de Elite.”

Na trama, Selton Mello é Marco Ruffo, um delegado da Polícia Federal  que, após se tornar obcecado com o caso que investiga, envolvendo o doleiro Roberto Ibrahim em um esquema de lavagem de dinheiro que poderia levar a investigação a “peixes maiores”. Ruffo é dispensado da Polícia Federal depois que Ibrahim faz um acordo de delação premiada com o Ministério Público, mas que na verdade não entrega ninguém.

Vale lembrar que Ruffo perde, digamos, a sanidade quando a injustiça e a corrupção ganham e ele não consegue fazer nada a respeito. Se você observasse seu país afundando e fosse impedido de fazer qualquer coisa quando na verdade, sabe exatamente o que fazer. Também não perderia a calma?

Depois disso, Ruffo sobrevive por 10 anos, tendo que sustentar a família com uma filha deficiente e apenas recebendo o salário da aposentadoria por “transtorno bipolar de personalidade”. Você só ajuda o estado, e no final das contas de 20 anos de serviço você consegue o quê?

Comprar um carro velho e um sitiozinho no interior do Paraná pra tentar dar um futuro pra sua filha. O estado é ridículo mesmo, né?

Mas como o Ruffo mesmo diz, uma hora dá merda.



Aí é que entra, pra mim, a melhor personagem da série. Caroline Abras interpreta a amiga e ex parceira de Ruffo, Verena Cardoni, que agora é delegada da PF. Verena finalmente consegue prender Ibrahim novamente, após um deslize idiota, e não só ele que roda dessa vez não. E outra coisa, dessa vez a delação premiada funciona, e muito bem.

“O Mecanismo” é uma série original da Netflix que conta com 8 episódios e foi lançada no último dia 23 de março e que desde o início havia me chamado a atenção, seja pelo fato de gostar de dramas policiais ou de querer entender mais sobre toda a história da lava-jato. José Padilha entregou pra todos uma série que mostra o quão fundo a corrupção no governo brasileiro chega, e ela assusta.

Selton Mello, Caroline Abras e Enrique Díaz me surpreenderam com as melhores atuações que já vi em muito tempo. O doleiro interpretado por Díaz com a personalidade calma e sarcástica, onde você não sabe se sente raiva ou adora o personagem.



Fotografia e trilha sonora também marcam presença nos elogios que a série deve receber, com uma ressalva pra mixagem de som; pô Netflix, eu quase não conseguia ouvir os diálogos do Selton!!!



Mas “O Mecanismo” é a típica série que é inspirada em fatos reais que irritou metade do país e fez a outra rir, sem ao menos saber que o problema não se trata de direita ou esquerda, de um partido ou de outro. O mecanismo afeta e arrasta todos que caem no seu funil, e ninguém é inocente no meio de tudo.

A série te prende, te faz querer entender e querer justiça. Te faz torcer, se irritar quando o sistema judicial falha. Te faz querer mudança sobre toda a roubalheira existente.
E é com esse desejo de mudança que conseguiremos.

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