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quarta-feira, 22 de agosto de 2018

"Batman - O Cavaleiro das Trevas": 10 anos do maior filme de heróis já feito


Muito antes de 18 de julho de 2008, o mundo esperava ansioso pela sequência de “Batman Begins” (2005), as expectativas pairavam sob vários aspectos, desde a sequência do seu surpreendente predecessor, ao retorno pelo herói que, de longe e com muita sobra, é o mais amado do mundo, mas, principalmente, para conferir a atuação de Heath Ledger na pele do mais icônico vilão do Homem-Morcego, o Coringa, e que 7 meses antes da estreia do longa havia morrido, ao que tudo indica, em decorrência, pelo menos em partes, do seu mergulho na construção do vilão.


Mas, o que faz do Cavaleiro das Trevas o melhor filme de herói já realizado? Boa parte das pessoas e da crítica atribuem à excepcional atuação de Ledger o sucesso e o alto nível do filme, mas é impossível não atribuir ao talento e a visão do diretor Christopher Nolan a qualidade da película. Por mais que a atuação de Ledger seja, talvez, o principal ponto de consistência do longa, ele não seria alçado a tal patamar e nem se sustentaria apenas por isso. A criação de Nolan e a proposta sólida para contar a história do herói de forma sombria e realista também é o outro pilar disso tudo.


Para entendermos melhor tudo isso, precisamos voltar alguns anos antes, na pré-produção do desacreditado “Batman Begins”. A Warner queria lançar um filme de herói apenas para rivalizar com a já consolidada franquia do “Homem-Aranha” da Sony e barganhar público com os lançamentos do mesmo ano de “Homem de Ferro” e “Incrível Hulk”, já pela Marvel Studios. Diante disso, Nolan atuou quase no anonimato, e criou no primeiro longa a base que atingiria seu ápice no filme seguinte e, por isso mesmo, “O Cavaleiro das Trevas” funciona tão bem, porque o diretor foi a mente por trás da ambientação, da trama e do tom da obra a ser lançada numa trilogia.

Mas, além de Nolan e Ledger, o longa se torna icônico por outros motivos, não se pode descartar o elenco competente, encabeçado pelo ótimo Batman criado por Christian Bale, o eficiente Aaron Eckart, como “Duas Caras”, e o sempre dono da tela quando aparece, Gary Oldman, interpretando o incorruptível detetive Gordon.


Não bastasse tudo isso, a trama de “The Dark Knight” é ousada e levada ao extremo, ao tratar sobre limites, sobre a linha tênue que separa herói e vilão, que se prova como dois lados de uma mesma moeda durante boa parte da projeção. A ambição do Coringa em mostrar ao Batman que ele tem limites e que isso é um limitador ao heroísmo dele, é levado a última consequência. Bruce Wayne experimenta, pela primeira vez, do fato de que o Batman nem sempre será visto como herói e esplendor da cidade. Nem sempre ele será apenas o suficiente para Gotham, apresentado metaforicamente muito bem nas entrelinhas de uma das cenas, a que o herói tem a oportunidade de atropelar o vilão e não atropela, o quanto fato da ética de não matar é uma fragilidade do Homem-Morcego. Em apenas uma cena, Nolan mostra que o Coringa estudou muito bem o Batman e suas regras desde que instalou o caos em Gotham, prova a ele que isso é um problema, um limitador que o torna vulnerável.

A mensagem de que no final das contas o bem sempre vence e, em algum momento, a bondade da humanidade impera, só vem durante a última cena. A da explosão das balsas, ela é o contraponto narrativo e a cena da vitória ideológica do Batman, mas logo depois as ações do vilão também se mostram vencedoras, quando ele prova que mesmo o homem mais incorruptível, Harvey Dent, está suscetível ao que é o frágil e pueril bem-estar social.


Por toda essa estrutura narrativa, complexa e crua, por seu elenco e seus talentosos vilão e diretor, “Batman: O Cavaleiro das Trevas”, tem se provado ao longo de uma década como um filme de herói inatingível até então. Um trabalho singular, em sua engenhosidade e questionamentos. O longa transbordou os limites do gênero, se tornou um marco no cinema e em tempos de Oscar de Melhor Filme Popular, fica a mostra de que longa caros podem ser verdadeiras obras de arte e que, em 2008, essa obra prima sequer foi indicada a Melhor Filme, mas isso é outro assunto, para outra oportunidade. O que vale e fica para a posteridade no coração e na lembrança de todos é “Why so serious?”. 

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