Crítica | Final Space - Animação de ficção científica enche os olhos e engana o espectador - no bom sentido! - PREMIERE LINE

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3 de agosto de 2018

Crítica | Final Space - Animação de ficção científica enche os olhos e engana o espectador - no bom sentido!


É interessante notar como, nos últimos anos, emissoras e serviços de streaming tem investido em animações adultas de qualidade. Sejam por sua originalidade, discussões ou ousadia, séries animadas como Bojack Horseman, Rick and Morty e Big Mouth caíram no gosto do público e da crítica. A TBS também resolveu apostar e, para alcançar a audiência e a fronteira final, no primeiro semestre de 2018 lançou Final Space. Agora, a animação chega na Netflix e, possivelmente, pode ter passado despercebida na sua home - e já adianto que isso é uma grande injustiça.

Gary (Olan Rogers) é um humano que, após um incidente, cumpre pena na nave-prisão Galaxy One. Depois de 5 anos sem a companhia de nenhuma forma de vida - orgânicas, pelo menos - e ocupando seus dias enviando vídeos-diários para sua paixão na Terra e tentando roubar biscoitos de uma vending machine, o auto-proclamado capitão encontra uma estranha e carismática criatura que decide batizar de Mooncake. A partir daí, Gary começa uma grande aventura pra salvar Mooncake das mãos do conquistador galáctico Lord Commander (David Tennant) e, de quebra, proteger a Terra. Final Space traz elementos já conhecidos de odisseias espaciais, mas não se prende a eles. O espectador poderá reconhecer homenagens e inspirações nos uniformes, designers de personagens, paisagens... mas o que torna a animação única é a ambição de querer estruturar seu próprio universo, sua própria linguagem. Star Wars, Star Trek, Perdidos no Espaço, 2001 - Uma Odisséia no Espaço, Rick and Morty e Futurama são gigantes da cultura pop, e já vivem no nosso imaginário. Final Space não se desperdiça sendo só uma paródia boba e genérica, optando por honrar estes grandes clássicos de ficção-científica, mas construindo sua própria identidade.



A surpresa não deixa de ser um dos grandes trunfos de Final Space - e, exatamente por isso, não nos aprofundaremos tanto na estrutura da série para não tirar a surpresa do espectador. A animação constrói de forma muito inteligente sua densidade e carga dramática, sempre utilizando do humor como o pilar da trama. E assim, sem que o público perceba, acaba criando simpatia e empatia por sua história e por seus personagens. Quando o espectador notar a profundidade da animação, já será tarde: com certeza já terá maratonado mais da metade e estará imerso em Final Space. Mesmo aqueles que não gostam de ficção científica podem dar uma chance para a animação, pois é bem acessível e rápida - são 10 episódios de aproximadamente 22 minutos.



O projeto nasceu de forma bem independente, tendo seus primeiros esboços de episódios publicados no YouTube pessoal de Olan Rogers. Depois de anos sendo ajustado, e ao ser lançado já com o nome Final Space, a animação chamou a atenção de Conan O'Brien, que levou Rogers e o projeto para sua produtora Conaco. É perceptível como Rogers teve liberdade para colocar suas ideias em prática e explorar o que já havia construído até então. Os roteiros, todos idealizados por Rogers e com a colaboração de um time de ponta de roteiristas (entre eles, David Sacks de 3rd Rock From the Sun), conseguem ser dinâmicos e tem um equilíbrio de tom muito interessante de se ver. O time de animação da ShadowMachine e da Jam Filled faz um excelente trabalho, construindo uma animação fluída e que mescla muito bem o 2D e o 3D. O destaque, sem dúvida, são as paisagens de Final Space, que vão do espaço estrelado a supernovas. O primor técnico se dá graças a utilização do software Toon Boom Harmony, que usa imagens reais da NASA para construir os cenários. Sem perder o traço cartunesco e sempre carregado de cores vibrantes, Final Space tem uma beleza discreta e que vai deixar o espectador com vontade de tirar um print de algumas cenas pra usar de wallpaper.



A dublagem também é um dos grandes pontos positivos da animação - tanto a dublagem original como a versão brasileira. Além dos já citados Rogers, Tennant e O'Brien, a dublagem americana traz nomes como Caleb McLaughlin (O Lucas de Stranger Things), Steven Yeun (O Glen de Walking Dead), Tika Sumpter, Fred Armisen e Tom Kenny (o dublador americano do Bob Esponja!). Aqueles que não gostam ou tem dificuldade de assistir animações legendadas podem conferir sem medo. Vale a pena! Já a versão em português traz vozes muito bem encaixadas, além da já característica criatividade de adaptação dos dubladores brasileiros.

Enfim...

Final Space é uma grata surpresa para os fãs de animação e de ficção científica. Com uma trama de comédia que se aprofunda aos poucos e introduz elementos dramáticos, a série constrói uma grande ligação com o espectador - que maratonará a série sem dificuldade. A animação possui um charme sutil, que carrega nas cores e em paisagens espaciais exuberantes. Final Space pode parecer um desenho genérico, que tenta surfar na onda de sucessos como Futurama e Rick and Morty, mas não se engane: é uma obra com personalidade própria e que merece ser vista! Uma das aquisições mais interessantes do catálogo da Netflix. E mais madura que muitas outras apostas de ficção-científica do serviço de streaming.

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