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quarta-feira, 22 de agosto de 2018

Crítica | Onde está você, João Gilberto? - Nunca conheça seus ídolos


Algumas pessoas dizem isso porque nas nossas cabeças idealizamos pessoas imponentes, perfeitas e singulares. Defendemos com unhas e dentes nossas Britneys, Beoynces e quem quer que seja. Mas e se o seu adorado músico não for nada do que você pensa e te fizesse frustrado quando conhecesse ele? E se pior ainda, não quisesse ser encontrado, alimentando em você um mito que pode durar, literalmente, sua vida?

Baseado no livro HO-BA-LA-LÁ - À Procura de João Gilberto (Marc Fischer) esse documentário refaz todos os passos contidos no livro escrito por um alemão em busca do seu ídolo e criador da Bossa Nova, João Gilberto. Okay, não acompanhamos Marc pois o mesmo morreu antes do lançamento, acompanharemos um cineasta chamado Georges Gachot que além de fascinado pelo estilo musical, também adora o livro e toda a busca contida nele.

Georges tenta recriar passo a passo tudo que Fischer fez para tentar alcançar João Gilberto, conversando com as mesmas pessoas, se hospedando no mesmo quarto de hotel, indo aos mesmos bares. Partircularmente não acho que isso era um mero estudo de caso e passou a ser uma obsessão uma vez que o dono do livro e seu sucessor passaram mais de 10 anos caçando o cantor, mas o que tem nesse cantor que o torna tão especial?

João surgiu em 1959 com APENAS sua voz e um violão causando furor em toda a música por uma simplicidade ímpar, criando tudo o que viria a ser o estilo musical mais importante da história do Brasil. A batida, as letras melancólicas, o tom de voz mais grave tudo era perfeito apesar de não ser nada comparado ao que havia na época e mesmo assim único. Inclusive o cantor ganhou um Grammy (PASMEM) em cima dos Beatles durante a época de maior sucesso do grupo.

Essa figura genial com toda certeza causa uma áurea de endeusamento a qualquer mortal, considerado pela Rolling Stones o segundo maior artista brasileiro de todos os tempos. Porém assim como todo gênio e qualquer famoso, João Gilberto tem suas particularidades e justamente isso que trás toda a frustração do documentário.

Com todas as pistas em mãos, todos os contatos, todos os manuscritos seria mais fácil encontrar o criador da Bossa. Sua ex esposa ajuda nas buscas assim como seu empresário, mas o artista não recebe visitas a mais de 20 anos. Apenas a filha pode entrar em contato pessoal com o artista, todo o resto do mundo é vetado. Sua comida, quando vem de restaurantes é deixada a porta de seu apartamento. Dinheiro pela fresta de baixo da porta, nenhuma palavra, nem um vulto, apenas o mito.

Tudo que eu escrevi aqui partiria para uma busca inacreditável, a perseguição de um sonho, o que todos nós secretamente desejamos com alguém, mas também mostra a dura verdade de quando isso passa de sonho para obsessão. É demorado, é complicado e é frustrante. Pros otimistas que assistirem, é uma homenagem bonita a Bossa Nova, a João Gilberto e ao livro, para os pessimistas é apenas frustrante.

Dirigido por Georges Gachot e com estréia para 23 de agosto de 2018.

Nota: 2.5/5
Por Felyppe Merick

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