Crítica | Crô em Família - Ser gay não é piada - PREMIERE LINE

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quarta-feira, 5 de setembro de 2018

Crítica | Crô em Família - Ser gay não é piada


Em pleno 2018 falamos muito sobre inclusão, preconceito, feminismo, tradicionalismo entre outras pautas e qual a melhor arma para tratar de tudo que a sociedade não quer ter que falar?

A arte, seja ela plástica, cinema ou música sempre contribuiu na história da humanidade para tratar de temas delicados e políticos e essas armas devem ser usadas. Mas e quando se perde essa chance?

Pois bem, Crô é um personagem criado por Aguinaldo Silva lá em 2011 para a novela Fina Estampa, mordomo de Tereza Cristina, uma das vilãs mais icônicas das novelas atuais, vivida por Christiane Torloni e herda sua fortuna no final da trama. O sucesso foi imediato do personagem, com bordões exaltando a sua patroa sempre com algo egípcio e um visual muito colorido o personagem ganhou seu spin off em 2013 sendo estrondoso: Quase 2 milhões de espectadores e mais de 14 MILHÕES de bilheteria. Uma continuação seria óbvia naquele momento, porém ela veio apenas 5 anos depois com Crô em Família.

A sequencia ignora TUDO que foi feito do personagem anteriormente. Se no primeiro filme ele sai do altar para ficar com seu motorista, aqui ele já está no seu segundo divórcio e essa é a ÚNICA explicação sobre tudo. Sua filha adotiva do primeiro filme, sua casa, sua governanta e sua história é completamente esquecida e nem mencionada.

O roteiro era para ser simples: Uma tentativa de roubo a casa. Porém a falta de carisma ou tempo de tela dos personagens secundários faz com que tudo seja absolutamente raso deixando toda a trama ser carregada apenas no talento de Arlete Salles. Se do lado dos vilões a falsa mãe do Crô salva a história, do lado dos mocinhos o show de horrores é gigantesco. Talvez o tempo entre uma sequência e outra tenha deixado Marcelo Serrado desconfortável, fazendo sua atuação ser uma emulação do que havia sido feito antes. O único personagem que se salva no meio de tanta caricatura é Geni, interpretado pelo novo talento da comédia Jefferson Schroeder, que apesar de não fugir de todo esteriótipo, dá um show como a melhor amiga do Crô.

Se o roteiro e as atuações não ajudam muito a parte técnica é terrível: Imagens de câmera completamente simples, tentativas de quebra da quarta parede não conversando com o resto da cena e VÁRIOS erros de continuidade, fazendo parecer que o filme foi editado as pressas.

Como se não bastasse tudo isso jogando contra o filme, em momento algum se importam em fazer algo pela comunidade LBGT, dando um reforço a tudo que se pensa sobre gays: Afeminados, com grande senso de estilo, sempre espalhafatosos e com um detalhe muito interessante: NENHUM dos personagens gays tem um relacionamento. Todos são solteiros fazendo o ser gay se tornar apenas uma piada.

Para não dizer que o filme se enterra, o final dele vem carregado por uma mensagem de que família é quem a gente escolhe e não quem nasce junto. Uma mensagem que seria bonita caso não houvesse um desperdício tão grande de abraçar a comunidade e fazer entender o amor em toda sua forma em uma época de tanto ódio.

O filme é dirigido Cininha de Paula e estreia dia 06 de Setembro.

NOTA: 1/5

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