CRITICANDO | Infiltrado no Klan - É o filme mais pesado de 2018 - PREMIERE LINE

NEWS

quarta-feira, 14 de novembro de 2018

CRITICANDO | Infiltrado no Klan - É o filme mais pesado de 2018


Quantas vezes na sua vida você teve sua expectativa quebrada? Imagino que algumas várias vezes, desde um doce comprado que parecia maravilhoso na vitrine mas que o gosto era puro açúcar, até aquele filme esperado pra caramba que te fez sair indignado da sala de cinema (ESTOU FALANDO CONTIGO HOMEM DE FERRO 3). Mas e quando a surpresa te deixa sem palavras?
Em 1978, Ron Stallworth (John David Washington), um policial negro do Colorado, conseguiu se infiltrar na Ku Klux Klan local. Ele se comunicava com os outros membros do grupo através de telefonemas e cartas, quando precisava estar fisicamente presente enviava um outro policial branco no seu lugar. Depois de meses de investigação, Ron se tornou o líder da seita, sendo responsável por sabotar uma série de linchamentos e outros crimes de ódio orquestrados pelos racistas.
Esse filme, por algum motivo bizarro, está classificado como comédia em vários locais. Ele é engraçado sim, mas se prepare para uma série de coisas sendo jogadas na sua cara, mostrando principalmente que a humanidade não evoluiu quase NADA de 70 pra cá.

O roteiro é impecável em fazer com que no começo, sem enrolação nenhuma as coisas comecem a acontecer. Te introduz aos personagens que irão te acompanhar em menos de 10 minutos, para que o foco sejam nas relações entre esses personagens. E a genialidade aqui não é só desenvolver personagens, é te deixar enclausurado com o final e com uma sensação de "vai dar ruim" em todos os momentos do último terço do filme. É angustiante, é de arrepiar e é de indignar.

As atuações aqui valem destaque também: John David Whasington faz o protagonista. A atuação é discreta mas te entrega uma verdade muito boa. Os pontos de ação, indignação, raiva, deboche e comédia estão o tempo inteiro ali e sem nenhuma forçação de barra, tão natural quanto uma pessoa real. Adam Driver aqui também mostra um repertório variado de atuação. É um dos pontos de comédia e de tensão do filme e ele varia entre um e outro com uma facilidade muito grande. Vem se mostrando um ator extremamente promissor desde que assumiu papéis de protagonismo e é um cara para se ficar bem atento. Laura Harrier aparece pouco no filme, mas é uma baita presença quando está em tela. Outros destaques também para os dois membros mais ativos do Klan: Jasper Paakkonen que faz o Felix, um caipira extremamente comprometido com a violência e Topher Grace, que interpreta o personagem REAL do líder do KKK.
A direção aqui é seca na maior parte do tempo, pra ser ágil, mas sem ser rudimentar. Incluindo vários elementos do movimento Blaxploitation (no qual vários programas, músicas e filmes eram feitos por negros e para negros com uma marca registrada bem forte). Spike Lee se mostra um forte concorrente a Oscar sem reinventar nada, apenas sendo extremamente competente.
Talvez a única coisa no filme que seja digna de uma crítica é a dúvida que paira sobre alguns personagens que mereciam mais tempo de tela ou de uma ou outra coisinha em seu final que parece não fechar a história direito.

Finalizando com cenas reais de marchas supremacistas nos EUA após a eleição de Trump o filme é cruel, propositalmente, para mostrar como o preconceito racial ainda é uma coisa viva e pulsante dentro da sociedade por mais ridículo que isso pareça. É um filme importante, tanto para a arte quanto para o momento político atual mundial. É impactante, se não estiver em um dia muito pra cima, aconselho levar um lenço para o fim.

Dirigido por Spike Lee (Nigerian Prince) e com elenco de John David Washington (Monster), Adam Driver (Star Wars - Os Últimos Jedi), Topher Grace (That '70s Show), Laura Harrier (Homem Aranha De Volta ao Lar) entre outros o filme estreia no dia 22 de Novembro de 2018.

NOTA: 4.75/5

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Pages