Review | Pokémon Let's Go - Revivendo Red & Blue em 2018 - PREMIERE LINE

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sexta-feira, 16 de novembro de 2018

Review | Pokémon Let's Go - Revivendo Red & Blue em 2018


Pokémon Let’s Go é, antes de mais nada, um nostálgico remake de Pokémon Red & Blue. Porém, mais do que isso, Let’s Go é uma homenagem aos melhores momentos e ideias da saga desde então, dispondo toda uma geração dentro de um único game numa coletânea de lembranças, sentimentos e aventuras apresentada no melhor visual que a série já teve. Porém, isso também acaba trazendo algumas implicações.

De geração em geração

Em 2018, completaram-se exatamente 20 anos desde que Pokémon Red e Blue chegaram à América do Norte, virando “febre” mundial (para a preocupação de muitos pais) e vendendo estimadamente 32 milhões de cópias desde então. Em 2018, completaram-se também 2 anos desde que Pokémon GO foi lançado para dispositivos móveis, tomando o mundo novamente, fazendo manchetes (preocupando pais, é claro), e hoje acumulando quase 1 BILHÃO de downloads.


A “febre Pokémon GO”, ao menos nos primeiros meses de lançamento do game, será para sempre lembrada como um marco na história da tecnologia, dos jogos e da humanidade e que dificilmente acontecerá uma segunda vez (uma febre talvez até maior do que a do nascimento da franquia). Ela mostra a força de uma marca consolidada, extremamente poderosa e que marcou a infância de muitos, unida a uma tecnologia e game design acessíveis a um público muito maior. Estima-se que 118.69 milhões de unidades do Game Boy tenham sido vendidas. É impossível estimar quantas pessoas possuem um celular capaz de executar Pokémon GO (além do fato de o jogo ser gratuito). Mesmo o Game Boy sendo o terceiro console de videogames mais vendido de todos os tempos, a diferença é monumental.

E é a munida destes dois fenômenos gigantescos que a Nintendo tenta consolidar os fãs de longa data que ainda acompanham a marca fielmente, a nostalgia de quem estava lá 20 anos atrás mas por inúmeros motivos a deixou, e os primeiros passos de quem chegou agora. Entra em cena Pokémon Let’s Go.


Red & Blue com cheirinho de GO

Quando disse que, antes de mais nada, Pokémon Let’s Go é um remake de Red & Blue, é porque essa é sua verdade central. A história, a jornada, os Pokémons, tudo é um retorno às origens numa roupagem nova, mais bonita, mais épica, com trilhas re-orquestradas magníficas e ainda mais emocionante (alcance o topo da Pokémon Tower e entenderá). Ele também é uma versão mais simplificada, removendo muitos dos aspectos que na época causavam mais tédio e frustração do que divertiam, feita sob medida pra quem foi fã mas deixou de acompanhar.

Mas além disso, como eu também disse, o jogo é mais do que um mero remake. Let’s Go reconhece todos os marcos da franquia desde então, e adiciona detalhes, personagens, referências e mecânicas que permearam as experiências dos fãs nesses 20 anos. A presença de Jessie e James da Equipe Rocket do anime, o companheirismo de Pikachu de Pokémon Yellow - e agora também Eevee - e a possibilidade de interagir com eles e fazer alguns mimos como em X/Y - que também trouxe as Mega Evoluções do mesmo modo presentes aqui - versões dos Pokémons e personagens de Alola de Sun/Moon… O jogo tem tudo para tirar um sorriso e encher os olhos de quem permaneceu fã até agora. Se você ainda não se convenceu, veja esse trailer que a Pokémon Company postou hoje, no lançamento do jogo:


E, por fim, Let’s Go também abre as portas para novos jogadores. Aqueles cuja primeira interação com a série foi em Pokémon GO, aqueles que já a conheciam mas GO foi a primeira experiência num jogo e não possuem muita habilidade com videogames, e aqueles que são literalmente novos e não viveram as gerações anteriores, podendo agora experimentar tudo pela primeira vez com algumas mecânicas mais simples e com uma curva de aprendizado muito mais amigável. 

Temos que pegar!

Tudo em torno de Pokémon Let’s Go cheira a Pokémon GO. Desde seu nome, sua veiculação, marketing… A Nintendo deixou claro que queria cativar (e capitalizar) o recém adquirido e renovado público de GO e trazê-lo para debaixo das asas de seus consoles e franquia; isso trouxe algumas mudanças aparentes que desagradaram alguns dos fãs mais puristas e “hardcore” que temiam que sua amada franquia de RPG se tornasse cada vez mais casual. Mas não se deixe enganar: as mudanças são superficiais e o espírito permanece intacto, o que por sua vez pode ser um problema pra quem esperava grandes novidades.


A mudança mais drástica, óbvia e controversa está na forma de se capturar Pokémons selvagens sem a necessidade de se batalhar anteriormente (com algumas exceções) e com a total exclusão das batalhas aleatórias (que se iniciavam repentinamente durante a movimentação do personagem). Agora, os Pokémons caminham visivelmente pelo cenário e, além do jogador sempre poder escolher evitá-los ou fugir caso encostem acidentalmente, encontrar-se com eles dá início ao modo de captura, onde basta arremessar Pokébolas na hora e na direção correta para pegar o monstrinho.

É fato que remover as batalhas contra Pokémons selvagens é como tirar metade do núcleo das mecânicas principais da série - eu, pessoalmente, ainda tenho sentimentos mistos quanto a essa mudança. Não por sentir falta dos encontros aleatórios (pelo contrário, acho bom que acabe), mas por considerar a mecânica que foi colocada no lugar um insucesso simplório demais. Às vezes até frustrante.

Dada a natureza híbrida do Nintendo Switch, existem duas formas de se capturar Pokémons no que se refere a ação do jogador. Quando no modo portátil (com os Joy-Cons acoplados), basta inclinar levemente o console na direção/altura em que o Pokémon estiver e apertar um botão para lançar sua Pokébola. Enquanto mais purista e menos drástico (permanecendo mais fiel à experiência dos fãs de longa data que passaram mais tempo jogando em portáteis do que com controles de movimento), esse modo é desinteressante e possui um desafio quase mínimo, chegando a ser tedioso.

Já no modo TV, agora condizendo com o público casual que está mais habituado a ver Pokémon na tela grande ou no celular, o jogador precisa fazer o movimento de arremesso com seu Joy-Con na direção e intensidade necessária, o que seria mais divertido, ao menos na teoria.


O problema aqui é que o rastreamento do controle funciona muito mais como funcionava na época do Nintendo Wii do que como funcionam hoje os jogos de realidade virtual com controles de movimento. Mais precisamente, ao invés de rastrear o movimento de sua mão em tempo real, ele “lê” o movimento feito como um comando e traduz para o jogo. Além de gerar um pequeno delay (o que é ruim para uma mecânica que depende de ‘timing’), os resultados não são nada precisos e geram alguns arremessos que não estão de acordo com a intenção do jogador (o que também é ruim pois os Pokémons se movimentam). Para piorar a situação, o jogo considera a posição de seu Nintendo Switch e não de sua TV - logo, estar de frente para sua TV mas com o console do lado pode gerar alguns arremessos laterais. Tente imaginar a frustração de capturar um Pokémon lendário assim. 
No geral essa mudança reflete uma tentativa de unir dois públicos opostos e de renovar uma série que já sofre com desgaste. Contudo, esse experimento de captura de monstrinhos de bolso resultou num experimento de monstro de Frankenstein. Já é meio caminho andado no quesito inovação, só acabou não dando muito certo.

Mas como já avisei: não se deixe enganar. Diferente do que a Nintendo fez parecer, este não é o foco principal do jogo e ainda há vários desafios e muito o que fazer e explorar na região de Kanto, assim como foi em Red & Blue. E dessa vez você pode trazer um amigo para viver a jornada com você.

“Juntos teremos que o mundo defender”

Outra grande novidade do game é a possibilidade de jogá-lo inteiramente de forma cooperativa com um amigo, que pode entrar no jogo a qualquer momento dando um simples “aceno” com o controle. Com cada um utilizando um Joy-Con (e os botões foram muito bem mapeados para isso), essa aventura traz o dobro de recompensas, experiência e chances de sucesso. Capturar, evoluir e batalhar fica mais fácil, deixando a experiência ainda mais acessível para os iniciantes. 


Durante as capturas, os jogadores devem sincronizar seus arremessos para aumentar suas chances e ganhar mais experiência. Já nos combates, cada jogador utiliza um dos Pokémons da equipe em lutas de 2 contra 1. Parece trapaça, mas é um tanto divertido deixar com que cada um decida seus movimentos a fim de conquistar a vitória juntos (por mais que o segundo jogador ainda tenha menos privilégios). O co-op é ideal para pais jogarem com os filhos, ou irmãos jogarem juntos, além de facilitar bastante pra quem ainda é novo em RPGs.

Mas pra você que está se preocupando em como eu continuo repetindo que o jogo está mais simples e mais fácil (e de fato está, quase sempre deixando a experiência melhor), saiba que há muitas batalhas contra treinadores e desafios reservados para aqueles que buscam uma dificuldade mais elevada. Especialmente após rolarem os créditos.

Além de poder desafiar a Elite dos Quatro novamente, como de costume, e de algumas possibilidades e segredos inéditos se abrirem, surgem pelo mundo diversos “Master Trainers” - treinadores que dedicaram suas vida a fortalecer um único tipo de Pokémon - e você pode desafiá-los para batalhas extremamente difíceis com o mesmo Pokémon em que são especialistas e sem items. Vencê-los te dá o título de mestre daquele Pokémon específico, e você pode exibir esses títulos em suas lutas no multiplayer contra outros jogadores.


Relembrando o passado, vislumbrando o futuro

Pokémon Let’s Go é um caso controverso. Num misto de saudosismo de um passado mais complexo e inovação para uma geração mais simples, fica difícil encontrar o coração do game. Para os que esperam avanço, sua apresentação pode parecer purista demais. Para os conservadores, algumas mudanças podem incomodar e parecerem pouco desafiadoras. Ainda assim, Let’s Go é um prato cheio para quem busca uma boa aventura Pokémon em toda sua leveza, carisma e diversão, capaz satisfazer os mais nostálgicos e deslumbrar pela primeira vez os recém chegados. Se você se contenta em subir um degrau, mesmo que instável, esse jogo é pra você. Para quem aguardava um salto, espere por mais um ano.

[O reviewer jogou a versão Let’s Go Eevee e cronometrou quase 25h de jogo com 104 Pokémons capturados, sendo um deles, obviamente, o MewTwo]

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