Review | Red Dead Redemption II - Um lindo mundo cruel - PREMIERE LINE

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quinta-feira, 29 de novembro de 2018

Review | Red Dead Redemption II - Um lindo mundo cruel


O primeiro Red Dead Redemption lançado em 2010 foi com toda certeza um dos melhores jogos de sua geração e por muitos, um dos maiores de todos os tempos. A história de redenção de John Marston, ex criminoso que decidiu viver dentro da lei, mas que se vê obrigado pelo governo a ir atrás de seus antigos companheiros e caça-los, para poder ver novamente sua família, cativou muitas pessoas, criou-se uma legião de fãs em volta da série e ainda faturou diversos prêmios, como por exemplo o de Game of the year (Jogo do ano) em 2010. Com todo esse sucesso era mais que certo que uma sequência viria, mas durante muitos anos a Rockstar ficou calada e apenas em 2016 revelou a existência do segundo jogo, que começou a ser produzido imediatamente ao término do jogo original. Assim, no dia 26 de Outubro de 2018 era lançado Red Dead Redemption II, um game cheio de expectativas e com uma missão complicada de superar o que já era considerado perfeito. Parece impossível, mas estamos falando da Rockstar.

Era uma vez no oeste


O enredo de Red Dead Redemption II se passa no ano de 1899,se tratando de um prelúdio do primeiro game.Aqui acompanhamos a gangue de Dutch Van Der Linde que entra em fuga,depois de um assalto que não deu certo na cidade de Blackwater. Dutch e os membros da sua gangue precisam arrumar uma forma de recuperar o dinheiro perdido na operação frustrada e sobreviver a diversas situações que colocam em risco a vida dos fugitivos. Dentre eles, temos rostos conhecidos do primeiro jogo, como Javier Escuella, Billl Williamson e claro, o protagonista do primeiro jogo,John Marston, que anos mais tarde víria caçar seus ex-companheiros para salvar a sua família. Nesse cenário conhecemos o protagonista Arthur Morgan, braço direito de Dutch e membro influente da gangue, sendo uma referência entre o bando e fiel as ideias do seu líder. O relacionamento da gangue é o ponto central da trama que os acompanha. E mesmo que o inicio da campanha seja um pouco lento, não chega ser arrastado, e quando você menos esperar, excelentes reviravoltas e momentos de muita tensão começam a surgir na tela.Todos os personagens são muito bem desenvolvidos e tem seu momento de brilhar, até Marston se torna um personagem mais interessante do que já era no primeiro game. A jornada pessoal de Arthur é talvez uma das histórias mais bonitas, bem escritas e marcantes que tive o prazer de acompanhar em um jogo de vídeo game. Seu caminho, escolhas, ações e encerramento de seu arco são de arrepiar e vale cada momento jogado.



Por uns dólares a mais

O mundo de Red Dead Redemption II é impressionante, vivo ,cheio de possibilidades criativas e divertidas. A interação que o jogador tem com o mundo sempre foi um dos grandes trunfos da Rockstar Games, porém RDR 2 vai além e trás um mundo vasto que reage a sua presença o tempo todo, das mais diversas e inimagináveis formas. Todas as vezes que eu retornava ao acampamento da gangue após alguma atividade no mapa, eu era surpreendido por algum dialogo diferente com algum dos membros, as vezes um pedido, as vezes só uma conversa cotidiana e as vezes simplesmente só pra me lembrar de algo. Mas em nenhuma das vezes eu vi algo repetitivo ou vi algum comportamento padrão, todos sempre faziam algo diferente e bem natural. Outro exemplo que ilustra bem o quão vivo é este mundo, foi um encontro aleatório que eu tive, no qual eu salvei um rapaz que foi picado por uma cobra. Um tempo depois indo até a loja  para comprar alguns itens eu o encontrei sentado na frente, alegre, satisfeito e como gesto de gratidão dizendo que eu poderia comprar qualquer item da loja que ele pagaria. Isso por si só seria fantástico, mas eis que, em mais uma de minhas jogatinas eu encontro o mesmo cara, sendo picado por outra cobra e ainda tendo uma reação completamente inesperada de Arthur que não consegue acreditar que o mesmo homem foi picado duas vezes. A situação é hilária e é uma prova de como esse jogo pode te oferecer situações inesperadas a qualquer momento. Os cenários exploráveis vão desde cidades pequenas típicas de velho oeste americano, florestas, pântanos e cidades mais desenvolvidas com ruas asfaltadas e fábricas espalhadas por todo canto. O mapa é imenso, pegando alguns pontos vistos no primeiro Red Dead e adicionando muito mais locações ao norte e leste de Blackwater, cidade presente nos dois games e que serve de elo entre eles.

Não é só de situações aleatórias e interações absurdamente orgânicas que o jogo vive. RDR 2 tem uma lista gigantesca de atividades extras  que podem ser feitas, como jogar poker, caçar animais para alimentação ou confecção de novos equipamentos, pescar, jogar dominó, assistir peças teatrais, cinema,  roubos, apostas e milhões de missões secundárias com diversos personagens interessantes com muita história boa pra contar. Tudo que você faz no jogo é recompensador e engrandece ainda mais a narrativa principal.



Os Indomáveis

Tecnicamente Red Dead Redemption II é muito competente.  Era de se esperar uma evolução de jogabilidade e em qualidade gráfica em relação a GTA V, ultimo jogo da empresa e que já era uma experiência bem polida. Aqui, a Rockstar Games conseguiu se superar, trazendo ambientes extremamente detalhados, desde as texturas das casas, ruas, montanhas, vegetação, fauna, flora e personagens.Seja importante ou apenas um NPC comum que você vai encontrar por aí. O game roda a 1080P no Playstation 4 base e a 864 P na versão mais simples do Xbox One. Nas versões Pró do PS4 e X do Xbox One eles atingem o 4K, tendo o console da Microsoft levando um pouco mais de vantagem por ser 4K real. Em algumas cidades o frame rate pode acabar caindo pelo fato de que muita coisa vai estar acontecendo ali, mas não atrapalha em nada e o game segura bem os 30FPS em todos os consoles citados.

A jogabilidade é cheia de novas mecânicas para as novas atividades e refina o que já era bom no jogo anterior. É muito fácil fazer qualquer atividade do jogo e se divertir, é tudo muito simples porém funcional. A física do jogo é perfeita, portanto é bom tomar cuidado ao andara cavalo e ao subir em alguns lugares, qualquer vacilo pode resultar em uma queda feia. Na parte de tiroteio temos a volta do ''Dead Eye'' uma espécie de câmera lenta que lhe dá a possibilidade de marcar os alvos e acertá-los com maior precisão, mas agora com muito mais opções, como mostrar os pontos vitais do inimigo.

O trabalho sonoro realizado pela Rockstar, por sua vez, é digno de aplausos. Os sons do ambiente o ajudam na imersão, podendo se ouvir de tudo. Pessoas conversando, tiroteios no  horizonte, porcos grunhindo, pássaros cantando, cavalos trotando, ursos rugindo, pedidos de socorro, lamentações, cantorias e muito mais. É tudo muito limpo e claro em seus ouvidos, fazendo com que você mergulhe mais fundo ainda naquele universo. A trilha sonora é maravilhosa e sem dúvidas uma das melhores dessa geração. Pra quem se lembra com carinho de ''Far Away'' de John Gonzalez, canção que toca em uma cena especifica do primeiro jogo, pode ficar animado que em RDR 2 temos várias musicas cantadas e é uma melhor que a outra. A dublagem do game se destaca também, contando com o retorno de veteranos do primeiro jogo e trazendo novas e competentes vozes pra todos os personagens, do NPC que vende armas ao protagonista vivido por Roger Clark.



A conquista Do Oeste 

Red Dead Redemption II é sem dúvidas muito mais do que um jogo, é um evento dentro do mundo dos vídeo games que vai ficar com seu nome marcado por muitos anos. A Rockstar mais uma vez provou que é uma desenvolvedora de talento e que dela só podemos esperar experiências memoráveis. Experiências vastas, detalhistas, sensíveis e imersivas, que vão te puxar com tudo para dentro daquele mundo dinâmico e cheio de boas possibilidades. Red Dead Redemption II vai muito além de um simples jogo, é uma obra de arte e um marco não só para seu gênero, mas para a industria inteira de games em geral 


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