Review | Starlink: Battle For Atlas - Um jogo dividido entre galáxias distantes - PREMIERE LINE

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quinta-feira, 8 de novembro de 2018

Review | Starlink: Battle For Atlas - Um jogo dividido entre galáxias distantes


Com um conjunto de propostas brilhantes e ideias singulares, Starlink tem tudo para ser bom, ao menos no papel. Mas para um jogo sobre naves espaciais que viajam com grande rapidez, é difícil não achar que Starlink chegou tarde demais nessa indústria onde tendências vêm e vão na velocidade da luz.
Starlink: Battle for Atlas é um jogo de ação e aventura de mundo aberto onde os jogadores podem combinar diferentes pilotos, naves, armas e habilidades para vencer seus desafios. O game roda na engine Snowdrop - a mesma por trás de The Division e Mario + Rabbids - e é também a primeira franquia original desenvolvida pela Ubisoft Toronto, desenvolvedora de Splinter Cell: Blacklist, e que ajudou em jogos como Assassin’s Creed: Unity, Watch Dogs 2 e Far Cry 5.

A história acompanha uma equipe secreta recrutada pelo astrofísico Victor St. Grand a fim de explorar as estrelas - a Iniciativa Starlink - que chega a um sistema estelar a 400 anos-luz de distância da Terra chamado Atlas. Contudo, o contato que eles esperavam encontrar nesse sistema está sendo perseguido por inimigos e, ao se envolver na batalha, St. Grand é raptado e a nave de sua equipe cai num planeta próximo chamado Kirite. É lá que sua aventura começa, visitando planetas desconhecidos e recrutando aliados para resgatar Victor e derrotar o exército da Legião, responsáveis pelo seu sequestro e diversos atos de violência e destruição intergaláctica.

Um universo de possibilidades

Após as missões iniciais, mesmo com diversas possibilidades diferentes, você se verá repetindo um ciclo muito básico:

1- Visitar um planeta.
2- Diminuir a influência da Legião e aumentar a sua derrubando torres e bases inimigas e construindo bases aliadas.
3- Encontrar um inimigo principal e derrotá-lo para enfraquecer uma grande nave inimiga em órbita.
4- Sair do planeta e derrotar essa nave.

Cada planeta possui uma inteligência artificial completamente simulada: Habitantes coletam recursos, atacam outras facções, resolvem conflitos... Melhore sua aliança, ajude-os, e eles te ajudam. Na teoria parece algo interessante, mas na prática fica nítido como o jogo estava dividido entre quem ele é, quem ele queria ser e suas diferentes influências.

  

À primeira vista, a referência mais nítida é o jogo No Man’s Sky, anunciado pouco antes do início do desenvolvimento de Starlink. Desde as viagens interplanetárias completamente livres e sem cortes, até os planetas, biomas, ecossistemas, fauna... Com a sua nave, o jogador pode escanear animais, puxar objetos e carregá-los, e até minerar planetas construindo bases, por exemplo. A parte mais “zen” do jogo, onde reina a exploração e a descoberta, mostra uma forte influência do jogo no projeto.

Contudo, como já falamos, Starlink é também um jogo de ação e aventura, e durante o seu desenvolvimento, a equipe soube que seu público alvo deveria ser o público infantil. Na verdade, antes mesmo que houvesse Starlink, lá em 2014, haviam apenas protótipos variados tentando descobrir qual seria a próxima empreitada do estúdio. O que mais chamou a atenção de todos era uma nave modular acoplada a um controle de Wii, onde se conectava diferentes peças de LEGO que imediatamente apareciam no jogo. E como aquele foi o ano em que a Nintendo anunciou seus primeiros Amiibos, que viriam com Smash Bros. Para Wii U e 3DS, e do lançamento de Disney Infinity 2.0 (com Lego Dimensions chegando no ano seguinte), essa foi a deixa para o estúdio da Ubisoft embarcar na onda dos “toys-to-life”.

Brinquedo, mas não brincadeira

Toys-to-life é uma linha de brinquedos que utilizam tecnologia NFC ou Radiofrequência de forma a criar algum tipo de interação digital e tecnológica. O que acontece é que esses brinquedos costumam trazer altos custos para os desenvolvedores, a ponto de, durante o desenvolvimento de Starlink, Disney Infinity e LEGO Dimensions subirem como um foguete em popularidade, mas depois caírem como um meteoro e serem cancelados (mesmo tendo nomes gigantescos por trás deles). Os poucos casos de sucesso e que continuam até hoje, são os Amiibos da Nintendo, usados em seus mais diversos jogos e também altamente colecionáveis, e Skylanders da Activision, lançado inicialmente no universo de Spyro.


Logo, o estúdio tinha em mãos um jogo pensado em torno dos brinquedos modulares, mas que ficou à mercê das rápidas mudanças da indústria. Logo, por mais que tenham se adaptado e liberado todo o conteúdo dos brinquedos também por download, a direção principal do jogo acabou se tornando o pesado grilhão preso em seus pés, o que o impediu de voar mais alto.

Mas nem tudo estava perdido, pois um salvador observava tudo silenciosamente, e chegou de última hora para ajudar.

“Do a Barrel Roll!”

Você provavelmente notou que eu ainda não comentei sobre o elefante na sala. Ou mais especificamente, a raposa na nave. A versão de Nintendo Switch do jogo possui conteúdo exclusivo de Star Fox, e é aqui que o jogo realmente decola.

Mais do que uma mera participação especial, Fox e seus amigos (e também um inimigo) estão presentes praticamente todas as cenas de computação gráfica do jogo, têm missões exclusivas, participam dos diálogos e o jogador pode jogar com Fox e/ou sua Arwing do começo ao fim. Sua habilidade de piloto, inclusive, consiste em chamar Falco, Slippy ou Peppy para ajudar no combate temporariamente. Está tudo ali, e tudo com o nível de qualidade, fidelidade e polimento que você esperaria de um jogo da Nintendo.

Na história, a equipe Star Fox viaja até Atlas atrás de Wolf, e, encontrando a Starlink em apuros, resolve ajudá-los (podendo ir desde pequenas missões até derrotar o chefão final, dependendo do jogador). Coincidentemente, a mesma coisa aconteceu no mundo real.

Durante a E3 2017, a equipe apresentava uma demo do jogo à portas fechadas, quando foi abordada por um pequeno grupo de representantes da Nintendo. O grupo então perguntou se poderia trazer mais pessoas, e depois mais, e mais... No total eles apresentaram a demo cerca de cinco vezes para pessoas como o diretor de Super Mario Odyssey, de Mario Kart 8 Deluxe, ao criador de Metroid, até chegar no Presidente da Nintendo of America, Reggie Fils-Aimé, que confessou achar a ideia do jogo muito interessante.

Pouco tempo depois do evento, negociações se iniciaram, até que algumas pessoas da Ubisoft Toronto foram convidadas a viajar para a sede da Nintendo a fim de apresentar uma possível parceria para o próprio Shigeru Miyamoto e toda a equipe que desenvolveu o primeiro Star Fox. Tudo correu bem e a Nintendo passou, então, a colaborar dando todos os tipos de feedback e fornecendo as direções para que tudo fosse o mais fiel possível.



Logo, vendo nitidamente como as “partes Star Fox” do jogo (diferente das “partes No Man’s Sky e toys-to-life”) são muito mais empolgantes e divertidas, fica claro como uma direção mais firme poderia ter beneficiado o desenvolvimento do game e o produto final. Por sorte, a empresa não subestimou seu público, pois conforme declarou o produtor Matt Rose em entrevista ao Variety, as crianças hoje nascem cercadas de tecnologia, e com seis a oito anos já são ótimas em videogames. Criado, então, para “crianças gamers”, Starlink oferece uma profundidade satisfatória em seus sistemas, por mais que ainda fique aquele gostinho de “quero mais”.

No final das contas, “Battle for Atlas” resulta num jogo que chegou tarde demais para a festa e acabou em uma crise de identidade sobre quem ele deveria ser. Entre a exploração interplanetária, os combates à la Star Fox e os brinquedos modulares, nenhuma ideia acabou sendo explorada de uma forma mais completa.

Mas com a participação de Star Fox, não dá ignorar a sensação de teaser para um jogo completo da franquia da Nintendo nas mãos da Ubisoft Toronto. Mario + Rabbids é um precedente, e o insucesso da Nintendo com a série desde Star Fox 64 é um grande indicativo. E com um estúdio que se provou competente e a Nintendo com as mãos no manche guiando o caminho, essa parceria tem tudo para voar rumo às estrelas.

Starlink pode ter sido um tropeço, mas é possível que esse universo ainda reserve muitas descobertas para o futuro.


O game está disponível para Xbox One, PlayStation 4 e PC.

Review escrito por: Caique Barsil

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