As melhores séries de 2018, por Ramon Alves - PREMIERE LINE

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quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

As melhores séries de 2018, por Ramon Alves


Mais um ano está chegando ao fim, o que leva diversos sites e blogs a publicar suas retrospectivas ou a divulgar suas listas com os melhores do ano. Como venho fazendo desde o início deste site, publico aqui a lista com as séries que, em minha opinião, foram as melhores de 2018.

Esta longa lista é dividida em duas partes; a primeira são as dez melhores séries estreantes. A segunda parte é composta de produções veteranas, séries que retornaram em 2018. Minha avaliação leva em consideração a proposta e o desenvolvimento de personagens e situações, em um ano ruim para produções veteranas e excelente para as estreantes.

Para aqueles que ainda não conhecem meu trabalho (e minhas listas), informo que não valorizo as séries pelo nível de sua audiência/popularidade ou pela quantidade de prêmios/indicações que recebem. Também não valorizo uma produção por seu orçamento ou pelos nomes dos profissionais envolvidos. Meu interesse em listar as melhores séries a cada ano é o de reconhecer o trabalho daqueles que atingiram o potencial de uma produção, tendo como referência seu conteúdo e não os interesses da audiência ou do mercado.

Portando, esta lista é o resultado da minha opinião do que é uma boa série. Quem tiver interesse de deixar nos comentários sua própria lista, fique à vontade.

AS MELHORES SÉRIES ESTREANTES DE 2018

1. The First (Hulu)


Do criador de House of CardsBeau WillimonThe First se passa em 2030, e tem como tema principal a primeira missão humana até Marte, mas que vai além da ficção científica, pois também é um drama sobre as pessoas envolvidas no projeto e suas famílias, tanto os que embarcam para o planeta vermelho, quanto os que ficam na Terra.

A série conta com o ator vencedor de dois Oscars, Sean Penn, como o astronauta Tom Hagerty e Anna Jacoby-Heron como a sua filha. Hagerty é o líder da missão para Marte, mas que na hora H acaba ficando de fora, por motivos que são mostrados logo no piloto. O foco é mostrar a quantidade de sacrifícios que são necessários para alcançar um feito da magnitude do que é colocar os humanos em outro planeta.

2. Killing Eve (BBC America)


Criadora da excelente comédia, FleabagPhoebe Waller-Bridge, retorna a TV com sua mais nova produção, o thriller Killing Eve.  

A série gira em torno de Eve (Sandra Oh) que trabalha como segurança em uma empresa, mas seu emprego estável e dentro de quatro paredes não sucumbe o desejo dela de se tornar uma espiã. É por isso que quando a primeira oportunidade surge, a jovem não pensa duas vezes e mergulha em uma caçada incansável contra uma assassina, Villanelle (Jodie Comer), uma criminosa tão elegante quanto perspicaz.

3. Kidding (Showtime)


A série gira em torno de Jeff (Jim Carrey) um astro multimilionário de um programa infantil televisivo, amado tanto pelas crianças que o assistem como pelos pais. Mas a vida exemplar e inspiradora dessa figura pública se transforma completamente quando problemas familiares começam a surgir. Sem saber como lidar com a nova situação, o simpático apresentador precisará de muita ajuda para manter sua sanidade.  A série reforça a minha ideia de que as únicas coisas que podem mudar o ser humano, é a morte ou o nascimento de alguém. Kidding é extremamente sensível, motivacional em vários momentos, mas triste na sua maior parte. 

4. Homecoming (Amazon)


Homecoming, a série que marca a estreia de Julia Roberts na TV, gira em torno da psicóloga Heidi Bergman, contratada pela Geist, empresa por trás de uma casa de reabilitação de membros do exército norte-americano. Um thriller com história única e complexa, exposta em 10 episódios rápidos e magnéticos, com um tom frio, repleto de floreios visuais, narrativa criativamente maximalista, roteiro bem estruturado e com uma atuação primorosa de sua estreante.

5. Counterpart (Starz)


O novo thriller de espionagem do canal Starz, acompanha um homem chamado Howard Silk (J.K. Simmons), um modesto funcionário da área burocrática de uma agência de espionagem da ONU com sede em Berlim. Quando Howard descobre que sua organização protege o segredo de uma travessia para uma dimensão paralela, ele é levado a um mundo sombrio de intriga, perigo e traições. O único homem em quem ele pode confiar é Prime, a contraparte quase idêntica de Howard no mundo paralelo.

6. Barry (HBO)


Estrelando o ganhador do Emmy 2018 de melhor personagem em série de comédia, Bill Hader, Barry acompanha um ex-fuzileiro naval que trabalha como um matador de aluguel barato no Centro-Oeste. Solitário e insatisfeito com sua vida, relutantemente viaja para Los Angeles para matar uma pessoa e acaba encontrando uma comunidade acolhedora em um grupo de atores aspirantes da cena teatral da cidade do qual pretende fazer parte. 

7. Sorry For Your Loss (Facebook Watch)


Elizabeth Olsen, a Feiticeira Escarlate nos filmes da Marvel, é uma viúva em busca de respostas em Sorry For Your Loss, nova série original do Facebook Watch. 

Na trama, Olsen interpreta Leigh, que acaba de perder o marido e tem dificuldades de encontrar consolo nos amigos ou familiares. "Eu odeio como, no começo, todo mundo quer te enviar flores. Então, depois, eles param de fazer coisas gentis para você, porque superaram, e esperam que você supere também". O drama, junto com Kidding, são as melhores séries do ano que entendem a dor de uma perda. É sensível. Dura. Difícil, mas necessária.  

8. Condor (AT&T)


Baseada no romance Os Seis Dias do Condor,  de James Grady, que virou o clássico do cinema Três Dias do Condor, a série atualiza e expande a trama, trazendo Max Irons, filho do ator Jeremy Irons e intérprete de A Dama Dourada, no papel que pertenceu a Robert Redford em 1975. A 1ª temporada de Condor acompanha um jovem analista da CIA que se depara com um plano terrível, mas brilhante, que ameaça a vida de milhões. Uma das séries mais eletrizantes do ano. Imperdível!

9. The Looming Tower (Hulu)


Adaptação do livro The Looming Tower (O vulto das torres - A Al-Qaeda e o caminho até 11/9), obra vencedora do prêmio Pulitzer do escritor Lawrence Wright. A minissérie relata de forma assustadora e brilhante a crescente ameaça de Osama bin Laden e a Al-Qaeda, culminando nos ataques terroristas do 11 de setembro de 2001. A história traz uma interessante e polêmica questão sobre a rivalidade entre a CIA e o FBI, que pode ter deixado uma brecha para a tragédia de 11 de setembro e levado os Estados Unidos para a guerra no Iraque. 

10. Final Space (TBS)


Em um ano sem Rick & Morty, a melhor animação ficou por conta de Final Space, pelo menos na minha opinião e com um dos finas mais arrebatadores do ano. A série é uma saga espacial intergaláctica sobre um astronauta chamado Gary e seu adorável amigo destruidor de planetas, Mooncake, que embarcam em uma missão para desvendar o mistério do "Final Space", o lugar onde o todo o universo termina. 


AS MELHORES SÉRIES VETERANAS DE 2018

1. Atlanta, 2ª temporada (FX)


Se Atlanta já tinha nos entregado uma primeira temporada maravilhosa, em sua segunda, nos entrega algo ainda mais grandioso, elevando seu nível com maestria. A série é um primor e se tornou um clássico dentro do segmento, uma série que surge de tempos em tempos, que nascem para marcar uma época, com um estilo próprio, forma única, bem escrita, produzida e dirigida por negros, que trabalham de forma mais realista e menos caricata o recorte social que se propõe a representar. E por isso, a segunda temporada encabeça a lista das melhores produções veteranos de 2018. 

2. The Good Fight, 2ª temporada (CBS)


The Good Fight, foi outra série que voltou com tudo em sua segunda temporada, A série não só entregou uma temporada bem melhor que a excelente primeira, como conseguiu se tornar uma produção relevante e essencial na sociedade atual, com um roteiro mais bem estruturado, sensível, inteligente, com diálogos agíeis, afiados e episódios repletos de bons momentos, como críticas a Trump, impeachment, discriminação racial e fake news. 


3. The Deuce, 2ª temporada (HBO)


The Deuce, dos criadores da irretocável, The Wire, também foi uma das séries que voltou bem no seu segundo ano, e por isso fecha o Top 3. Com uma segunda temporada que resolveu explorar ainda mais os bastidores do pornô sob o ponto de vista da legalização da atividade e sua lucratividade, acompanhando sua ascensão até a década de 1980, quando teve início a epidemia da Aids, e também documentando uma nova cidade de Nova York, detalhando as frias desigualdades das profissionais do sexo junto ao crescimento econômico da indústria pornográfica, tornando-se uma das melhores produções já exibidas pela HBO nos últimos anos e que infelizmente irá se encerrar em 2019. 

4. The Marvelous Mrs. Maisel, 2ª temporada (Amazon)


The Marvelous Mrs. Maisel, continua praticamente de onde a primeira se encerrou, mas ao invés de manter o foco na carreia de Midge como comediante de Stand-up, podemos acompanhar a grande evolução da personagem como pessoa, aliás não tem quem tire o brilho natural da atriz (Rachel Brosnahane seu carisma é o dos maiores trunfo da série. 

A série voltou com um ritmo mais dinâmico, assumindo de vez o ângulo teatral, e um roteiro desafiador, retratando uma mulher empoderada na década de 50, que não está livre do machismo e preconceito que a cerca, infelizmente. E se você ainda não viu, apresse-se e veja, pois novos Emmys podem estar se aproximando novamente, dessa incrível e atemporal obra da Amazon. 

5. The Americans, 6ª temporada (FX)


Confesso que demorei pra continuar The Americans, e este ano resolvi tirar um tempo pra assistir as últimas cinco temporadas que restavam e fiquei feliz de ter continuado, pois fiquei diante de uma das melhores produções televisivas que já assisti. The Americans encerrou sua jornada da forma como sempre se mostrou; agridoce, dramática e verossímil, a beirar a perfeição.

6. Castlevania, 2ª temporada (Netflix)


Castlevania, depois de uma primeira temporada morna, retornou com uma adaptação que realmente merecíamos, provando que tudo o que bastava era a combinação certa de um material interessante com talentosos roteiristas, estabelecendo uma história mais visceral,  e entregando aos espectadores uma conclusão mais fiel e satisfatória.  

A segunda temporada é o resultado de uma experiência muito mais rica e convincente, e se manter o nível apresentado nestes novos capítulos, Netflix terá uma galinha de ouro em suas mãos. 

7. High Maintenance, 2ª temporada (HBO)


High Maintenance, série da HBO que poucos conhecem, é criada pelo casal Ben Sinclair e Katja Blichfield, lançada como uma websérie no Vimeo em 2012, chegando a HBO apenas em 2016. Sinclair interpreta The Guy, um entregador de maconha que leva a droga a moradores da cidade de Nova York. É divertidíssima e isso muda em todos os episódios, pois nenhum é igual ao outro. Tem grandes convidados. E pra quem gosta de temas atuais, a série aborda vários de forma criativa e inteligente, dos mais pesados aos mais sensíveis. É curtinha e vale muito a pena ver.

8. Insecure, 3ª temporada (HBO)


Insecure, voltou com tudo nessa terceira temporada, se tornando uma das melhores e mais relevantes produções da HBO nesses últimos anos, com uma temporada bem superior a anterior, ainda mais realista e afiada, mostrando como é a vida de uma mulher negra pela perspectiva de sua protagonista, Issa. 

Com um terceiro ano focado mais no amadurecimento dos seus personagens, e a representação da mulher negra na sociedade, a série voltou com críticas  ainda mais ácidas, mas sem perder humor. 

9. The Sinner, 2ª temporada (USA Network)


Com a difícil tarefa de produzir novas tramas bem-elaboradas quanto ao primeiro ano, The Sinner acabou comprovando em seu segundo ano a eficiência da primeira temporada, no que diz respeito à construção de personagens e das exposições de seus temas. A terceira temporada conta também com atuações primorosas de Bill Pulman, Elisha Henig e a volta de Carrie Coon às telinhas. Este ano a série demonstrou que possui capacidade de construir personagens tão complexos quanto antes, compostos por falhas e receios intrigantes, equilibrados com traços familiares e empáticos o suficiente para que o público não possa simplesmente dispensá-los como “bons” ou “maus”.

10. American Vandal, 2ª temporada (Netflix)


E pra fechar esta longa lista (põe longa nisso), American Vandal da Netflix, talvez  uma das mais gratas surpresas esse ano e que infelizmente foi cancelada. Assisti as duas temporadas numa tacada só e me diverti bastante.

A temporada é menos absurda do que sua antecessora e a maioria de seus personagens é menos vividamente desenhada. No entanto, como antes, o mistério é divertido, cheio de reviravoltas e perfeito para alertar sobre esse tipo de crime. E, mais uma vez, os criadores e artistas do programa conseguem mudar de tom e humor quase sem perceber. Você pode estranhar, pode achar que é mais um besteirol americano, mas se trata de uma realidade cada vez mais presente hoje e a mensagem que a série deixa ao longo da temporada é espetacular, nos fazendo entender que essa geração não é a mais idiota que existe, como muitos dizem... ela só é mais exposta.


MENÇÕES HONROSAS: 

Estreantes: Assédio (GloboPlay), Sharp Objects (HBO) Bodyguard (BBC One), Parfum (Netflix), Jack Ryan (Amazon), Kiri (Channel 4), Patrick Melrose (Showtime), Sweetbitter (Starz), The Little Drummer Girl (AMC), The Haunting of Hill House (Netflix)The Terror (AMC),e My Brilliant Friends (HBO). 

Veteranas: This Is Us (NBC), Shameless (Showtime) Dragon Ball Super (Fuji Television), The Handmaid's Tale (Hulu), Casual (Hulu), Lovesick (Netflix), Making a Murderer (Netflix), Daredevil (Netflix), New Girl (Fox), O Negócio (HBO), Ozark (Netflix).

Bom, com um pouco mais de 60 séries assistidas esse ano, finalizo o que assisti de melhor em 2018. Nos encontramos em 2019. Um feliz ano novo!


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