CRITICANDO | O Retorno de Marry Poppins - Um remake disfarçado de continuação - PREMIERE LINE

CRITICANDO | O Retorno de Marry Poppins - Um remake disfarçado de continuação

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O maior do atual monopólio midiático por parte da corporação Disney é (Além dos perigos inerentes de qualquer monopólio por uma só empresa) é a falta diversidade e variedade. Afinal, por que uma empresa desse porte se importaria em financiar um filme de baixo orçamento que vai ter menos retorno, quando você pode fazer um spin-off de Marvel, Star Wars ou qualquer outra franquia multimilionária? E a pior resultado dessa mentalidade é a nova tendência da Disney de recriar suas animações clássicas como longas live action, não só para apresentá-las ao público jovem, como também para explorar a nostalgia dos adultos que viram as versões originais na infância. Normalmente esses filmes tentam ao menos dar algum diferencial para esses remakes: Dar uma releitura mais feminista à história (Malévola, A Bela e a Fera), dar a história a um diretor que combine com o material (Alice no Pais da Maravilhas, Cinderela), reimaginar a história (Mogli, Christopher Robin). Mas no caso de O Retorno de Mary Poppins é a versão mais vergonhosa de todos, é simplesmente um remake que mal se disfarça de continuação.

O filme narra a história de Michael Banks (Ben Winshaw), agora adulto e pai de três filhos que vivem junto com a irmã Jane (Emily Mortimer), que se encontra em um momento financeiro difícil. No auge da Grande Depressão, sua casa corre perigo de ser reapropriada pelo banco. Em meio a tantas dificuldades, surge a babá Mary Poppins (Emily Blunt) que vem voando do céu para ajudar novamente a familia Banks num momento de crise enquanto ele e as crianças buscam uma forma de quitar a dívida, levando as crianças em diversas aventuras extraordinárias.

Se isso parece muito com a trama do clássico de 1964, é porque os filmes são idênticos. O roteiro de David Magee tem como objetivo principal recriar fielmente e até a ultima virgula todos os pontos principais do filme original, com pequenas mudanças estéticas para se diferenciar. Tem versões novas de todos os personagens: Os pais, os filhos, o banqueiro malvado, o trabalhador amigável. Absolutamente todo elemento nesse filme está la para te lembrar de um elemento presente no filme original. O Retorno de Mary Poppins não ambiciona nada além de recriar um filme quinquagenário.

Porém, é inegável que ele o filme cumpre o que se propõe a fazer. O diretor Rob Marshall recria de forma espetacular o charme do original. A versão idealizada de Londres é maravilhosa de se ver e todas as sequências musicais são um vislumbre para os olhos, e se há algo a se elogiar nesse filme, é que mesmo que a maioria das musicas remeta às do original, todas elas são 100% originais. O maior destaque é indiscutivelmente a sequência dentro da tigela de porcelana, onde as crianças entram em um mundo lúdico com animais falantes. Remete à sequência mais criativa e memorável do original e vale a pena mesmo que seja só para poder ver uma animação 2D, técnica tão negligenciada por Hollywood, novamente numa tela de cinema.

Outro destaque é obviamente, a própria Mary Poppins. A Emily Blunt interpreta a personagem com a mistura perfeita de autoridade, travessura e sarcasmo britânico que marcaram a atuação de Julie Andrews. Lin-Manuel Miranda também transborda carisma cantando e dançando como o acendedor de lampadas Jack, que não deve nada à Dick van Dyke. Outros atores, como Colin Firth, David Warner, Meryl Streep e Julie Walters tem papéis pequenos, porém notáveis. Além de algumas surpresas para fãs do original.

No fim, O Retorno de Mary Poppins é um exemplo do pior que pode acontecer quando um só estúdio domina a maior parte do mercado. Abre-se mão de histórias originais em troca de regurgitações de histórias antigas com retorno garantido de investimento. É um filme quase completamente redundante, que existe exclusivamente para renovar o interesse comercial de um sucesso do passado. A diferença é que, na época que foi lançado, o Mary Poppins original era um projeto muito mais arriscado, inovador e ambicioso.

São ESSAS características que a Disney deveria se preocupar em retomar para a geração atual.

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