Coluna do Coffey | A Netflix pode salvar o Oscar? Ou acabar com a indústria como a conhecemos? - PREMIERE LINE

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quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

Coluna do Coffey | A Netflix pode salvar o Oscar? Ou acabar com a indústria como a conhecemos?


Hoje todo mundo tem Netflix (ou HBO Go, ou Amazon Prime, you name it...) e os serviços de Streaming estão deixando de ser "locadoras virtuais" para dar seus passos com produções próprias de qualidade invejável. A maior prova disso é a indicação de "ROMA", de Alfonso Cuarón à categoria de "Melhor Filme" na premiação mais pop do cinema. O velho Oscar.


Isso levantou um debate bem interessante. E é sobre isso que quero falar com vocês, amigos leitores. "Filme da Netflix" é cinema? Merece concorrer com "o resto"? 


Primeiramente alguns pontos precisam ser colocados: Para concorrer ao prêmio da Academia, o longa precisa ser exibido, em salas de cinema, por um tempo determinado. Festivais (como Sundance, ou mesmo o "nosso" de Gramado) não contam. Então o que acaba acontecendo é que se exibe o filme pelo tempo mínimo para ser indicado à premiações cinematográficas e depois a plataforma de streaming deixa o bichinho lá para todos assistirem no conforto do lar.

Pois bem, por conta dessas "regrinhas", alguns diretores como Steven Spielberg acham que os filmes da Netflix são filmes para TV. E não cinema. E por isso não concorreriam ao Oscar, mas sim ao Emmy. (Nas palavras do próprio: "Se for bom, você merece um Emmy, não um Oscar.")




O que de fato ocorre é que, se a Netflix adquire os direitos de uma obra (ou mesmo a produz), o filme vai ser exibido apenas pelo tempo mínimo e isso demanda menos trabalho, menos dinheiro e, num efeito cascata, menos gente vai levantar a bunda da cadeira pra ir ao cinema e perderemos empregos e bla bla e bla... E se um "filme Netflix" concorre e GANHA uma premiação importante, esse cicl
o se consolida. E é como se o temor do "Pai do ET" se tornasse realidade. Menos dinheiro, menos incentivo para contar boas histórias, menos gente indo aos cinemas, kabum! E a cada dia que passa, a tendência é que isso ocorra efetivamente. E a busca por popularidade do Oscar pode ser a chave.



Falemos a verdade: O Oscar está tentando se reinventar há muitos anos. Existem várias outras premiações mais sérias que premiam os filmes com base em critérios melhor estabelecidos. Mesmo no quesito "festa da firma" há festas mais legais (sim, eu adoro o SAG). Então, o velho senhor acaba ficando naquele limbo onde se você não vai é um chato de galocha (Woody Allen, alguém...) e se você vai é só pra cumprir protocolo e fazer cara de paisagem quando alguém pior que você levar o prêmio só porque "é a vez" (na boa, aquele urso merecia o Oscar no lugar do DiCaprio. E eu sou fã do cara!).


O futuro chegou meus caros. O tal "cinema em casa" deixou de ser nome de programa do SBT e é realidade. Não há como parar as empresas. Eu falei da Netflix aqui, mas alguém discorda que se a HBO resolve fazer um longa de 2h com Game of Thrones e exibe em alguns cinemas, os prêmios virão?




Então, o segredo é jogar o jogo. Se a meta são os prêmios, que se use a velha receita pra ganhá-los. Todo mundo sabe escrever um roteiro pra levar o Oscar de melhor filme. Se a concorrência aumentou, faça o seu melhor e como dizia aquela velha canção: "Deixa os minino brincar"! O tempo, como sempre, vai regular tudo.

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