Review | Mutant Year Zero: Road to Eden - Não é o fim do mundo - PREMIERE LINE

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quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

Review | Mutant Year Zero: Road to Eden - Não é o fim do mundo



Quando a Funcom, desenvolvedora de Conan Exiles, anunciou seu novo projeto, logo ele chamou a atenção. Com suas raízes muito bem fincadas em jogos como XCOM, parecia uma receita interessante misturar combate de estratégia em turnos, com exploração de um mundo pós-apocalíptico e animais antropomórficos muito carismáticos. No fim das contas, realmente é algo muito único, que, relevando alguns problemas técnicos e de escopo, traz uma experiência ao mesmo tempo familiar e intrigante.


O JOGO


Mutant Year Zero: Road to Eden conta a história de Dux, um homem-pato mal educado e seu amigo-javali Bormin. Ambos são Stalkers, uma espécie de explorador que tem como objetivo levar recursos como sucata, alimentos e armas encontrados na Zona, que é a região destruída pela radiação, para a Arca, um refúgio criado para proteger os Mutantes.



Todos os habitantes da Arca são Mutantes, que possuem habilidades físicas e mentais variadas, e são, a princípio, a única comunidade pacífica existente no planeta. Enquanto procuram por coisas valiosas para a Arca, eles encontram muitos Ghouls, seres humanos que ficaram malucos com a exposição contínua de radiação da Zona por várias gerações, que sempre atacam os Stalkers em seu caminho. Dux e Bormin, em sua jornada, tentam encontrar pistas sobre o que aconteceu com aquele mundo, como surgiram os Mutantes e o que levou os Antigos, como são chamados os seres humanos, a causar tanta destruição.


Dux e Bormin encontram e recrutam outros Mutantes durante a aventura, e você pode realocar seu esquadrão de acordo com as suas habilidades e seu estilo de jogo preferido. O time é composto por três unidades, e você pode customizar os equipamentos e habilidades de cada um.


O gameplay de Mutant é dividido em duas partes: exploração e combate. Ao adentrar em um local, é possível encontrar vários recursos como sucata, granadas e partes de armas, que ficam escondidos no cenário, mas brilham com a luz da lanterna para que sejam mais fáceis de encontrar. Além disso, a parte de exploração também é importante para avaliar a força e posicionamento dos inimigos presentes no mapa. Ao desligar sua lanterna, os itens são mais difíceis de encontrar, mas você não é tão facilmente detectado pelo inimigo. É uma ótima chance de verificar que tipo de abordagem será feita ao engajar os inimigos.



O combate pode ser iniciado de várias formas. A pior delas é ser detectado pelo inimigo sem querer, pois eles iniciam o combate e normalmente você está em uma posição de desvantagem. O jogo lhe permite iniciar o combate quando quiser, inclusive podendo posicionar seus personagens em locais estratégicos antes disso. Ao disparar uma arma contra um inimigo, você será detectado, o combate se inicia e você continua seu turno com os outros membros do time, que podem ainda estar escondidos.


Se você incapacitou o adversário ou utilizou uma arma silenciosa, só aquela unidade te detecta. Caso contrário, todas as unidades do mapa são avisadas da sua presença. O combate acaba quando todos os inimigos que te detectaram são mortos, ou seja, ele será iniciado e acabará cada vez que você matar um adversário silenciosamente. Isso te permite procurar unidades isoladas e matá-las furtivamente, uma por uma, ao invés de entrar de cabeça numa batalha com desvantagem numérica.


IMPRESSÕES


O maior desafio ao criar um mundo tão diferente, é fazer com que o jogador se identifique com ele e o seus habitantes. Nesse sentido, Mutant acertou em cheio.
Visualmente, o jogo apresenta cenários impressionantes e muito variados. São mostrados muitas faces de um mundo abandonado e destruído, desde linhas de trem a prédios e torres. Todos esses espaços são reaproveitados pelos Ghouls ou pelos habitantes da Arca para outros usos. As descrições dos objetos são muito divertidas e te fazem entrar ainda mais no clima do jogo. Os diálogos são sempre muito bem posicionados e bem-humorados.


Na história do jogo, os Stalkers vão explorando a Zona em busca de recursos escassos, para depois retornar à Arca e utilizar esses itens valiosos para melhorar seus equipamentos e comprar itens importantes. E é exatamente esse o ciclo do jogo: a cada mapa que você encontra, a cada nível que você passa ou a cada novo membro da equipe que você recruta, é natural voltar para a Arca, reabastecer os seus recursos e obter novos itens ou equipamentos. A imersão do jogo é impressionante: você se sente um verdadeiro Stalker, revirando cada canto do mapa para achar aquele monte de sucata que lhe permitirá comprar uma nova armadura ou mais kits de cura. É bastante recompensador repetir esse fluxo. Isso permite, aliás, que o jogador tenha sessões pequenas de jogo.



No combate, Mutant não nega sua inspiração em XCOM. Os controles no console são os mesmos, assim como os conceitos de cobertura parcial e completa, unidades escondidas, sentinela (overwatch), pontos de ação, enfim: tudo no combate remete de forma muita natural ao jogo de combate tático. Na verdade isso é muito positivo: não é preciso reinventar a roda, e eles puderam se concentrar em outras decisões importantes do design do jogo.


Os inimigos são outro aspecto muito interessante. Até o final do jogo, você encontra uma variedade muito grande deles, e muitas vezes as estratégias mudam completamente só com a presença de um inimigo mais poderoso. Cada um tem um comportamento único, e uma forma de o contra atacar. Também possuem diálogos muito engraçados, no mesmo tom do restante do jogo.


Entretanto, Mutant Year Zero, até pelo seu escopo menor, é um jogo simplificado. No combate, os cálculos de chance de acerto são básicos, as armas são pouco variadas, e, como dito antes, seu time é pequeno. Ter três unidades apenas limita suas opções estratégicas, o que pode ser um desafio interessante, mas normalmente só torna o jogo mais raso. Os personagens possuem habilidades diferentes, mas não são tão diferentes entre si, pois algumas habilidades se repetem em vários deles. Passar de nível é fácil, e não te dá muitas vantagens imediatas. De uma forma geral, falta um nível de complexidade, que enriqueceria muito a experiência.


Também há alguns problemas técnicos: houveram alguns crashes após algumas decisões, e taxa de frames do jogo cai muito em vários momentos no Xbox One. Os controles nos menus ao jogar no console são feitos movendo um cursor, como se você mexesse o mouse com o analógico do controle. É um aspecto que mostra que o port para consoles não foi tão bem feito.


Por fim, a dificuldade do jogo é um pouco problemática. Nos níveis mais altos, as possibilidades de estratégia ficam reduzidas, e a única viável é ir matando os inimigos furtivamente, um por um. Caso contrário, seu time com certeza morrerá em combate direto. Na dificuldade normal, senti que as habilidades dos personagens ficaram muito fortes para os inimigos, e no final, achei que não havia achado o nível de dificuldade com o desafio ideal.


VEREDITO FINAL


Mutant Year Zero: Road to Eden traz uma nova cara ao gênero, de uma forma irreverente e muito criativa. É um jogo muito bem desenhado, e vem com o que há de melhor no combate tático. Ao final, a vontade que fica é a de que um segundo título da série venha com todas as melhorias que essa franquia merece.

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