Review | Thronebreaker: The Witcher Tales - A odisseia de Meve - PREMIERE LINE

Thronebreaker: The Witcher Tales começou como uma campanha solo do popular jogo de cartas, e diga-se de passagem, excelente, Gwent. Mas tomou proporções tão grandes  que acabou virando um jogo standalone, trabalho primoroso e ambicioso da CD Projekt RED resultou em um jogo 

“O mundo está à beira do caos, com o aumento da tensão entre o poderoso império Nilfgaardiano e os orgulhosos Reinos do Norte. Prevendo uma invasão iminente, Meve, a veterana de guerras e Rainha de Lyria e Rívia, é forçada mais uma vez a entrar no caminho da guerra e partir para uma jornada sombria de destruição e vingança.”

Thronebreaker se passa durante a Segunda Guerra do Norte, entre os Reinos do Norte e o Império Nilfgaardiano, no mesmo período das histórias narradas no livro Batismo de Fogo da série The Witcher de Andrej Sapkowski. Ou seja, em um período temporal anterior ao primeiro jogo de The Witcher. A rainha Meve ao voltar de um encontro com os soberanos dos Reinos do Norte sobre a guerra com Nilfgaard, sofre um golpe de estado e perde o seu trono. Agora a odisseia da Meve passa a ser a busca por aliados para montar um novo exército e retomar o que é seu de direito: o Reino de Lyria e Rívia. Nesta saga épica, visitamos outros reinos como Aedirn e pela primeira vez no universo dos jogos, Mahakan, o reino dos Anões.


O jogo possui um equilíbrio de elementos de RPG, estratégia, aventura e card game. A jogabilidade lembra uma mistura de jogos como The Banner Saga, no sentido de que temos que coletar recursos, tomar decisões que afetam seu exército e a representação dos diálogos, e Magic: The Gathering (também conhecido como Magic: Shandalar), onde temos a representação do seu exército na figura de Meve, que pode vaguear pelos mapas em uma visão isométrica, completando missões, coletando recursos (ouro, madeira e recrutas) e batalhando com partidas de Gwent. Temos ainda os baús, que podem fornecer cartas e recursos para o seu exército ou até mesmo cartas e emblemas para serem utilizadas no jogo Gwent


Não é necessário ter jogado ou conhecer Gwent antes de se aventurar em Thronebreaker, pois as mecânicas e regras são ensinadas de forma bem espaçadas, dando tempo para que o jogador possa absorvê-las. As batalhas são divididas em quatro tipos:
  • Batalha normal: com três rodadas, usando as mecânicas de Gwent;
  • Batalha curta: com apenas uma rodada, também usando as mecânicas de Gwent;
  • Batalha de história: com regras e cartas específicas, podendo ter uma ou três rodadas;
  • Quebra cabeças (pluzzes): batalhas com objetivos bem específicos, seja beber cerveja mais rápido do que um anão, escapar de um deslizamento de pedras,  escapar de uma fortaleza ou ainda eliminar uma criatura específica.

As batalhas em Gwent são por turnos, onde temos duas filas para colocar as unidades, troféus e amuletos. Ao final de cada rodada, vence o oponente que possuir a maior pontuação, de acordo com a força de suas unidades. Mas não pense que é tão simples assim, pois praticamente todas as cartas possuem habilidades especiais, como espionagem, lealdade, mobilização, imunidade, ordem, etc. A complexidade do jogo é um atrativo à parte, estando mais próximo de Magic: The Gathering do que de Hearthstone, por exemplo. Mas como já citado, o jogo introduz as mecânicas de forma bem cadenciada, funcionando muito bem como um tutorial e uma introdução ao Gwent.


O baralho que representa o seu exército é gerenciado no acampamento, onde também temos uma árvore de aprimoramentos, que são evoluídos através da utilização de moedas e madeira, que vão desde receber recursos ao vencer uma batalha, até a possibilidade de recrutar novas cartas. É no acampamento que você pode conferir o estado do jogo (quantos baús foram encontrados, vitórias em batalhas, tempo de jogo no mapa atual, dentre outras informações), recrutar novas cartas e treinar.



A variedade dos cenários impressiona. Temos Lyria, Rívia, Aldesberg e seus campos e aldeias pungentes, Aedirn com suas florestas e terras calcinadas pelo exército invasor, as belas montanhas nevadas e vales férteis de Mahakan e os pântanos e charcos infestados de monstros de Angrem. O capricho e atenção que a desenvolvedora deu aos detalhes segue o mesmo padrão dos demais jogos da série, como por exemplo, Meve protege os olhos com o braço quando sopra uma nevasca em Mahakan, levanta poeira quando está caminhando sobre a terra, ou até mesmo a sua sombra ondula sobre as águas ao atravessar um rio ou uma poça.



A trilha sonora, efeitos sonoros e a dublagem e localização (em português) estão no mesmo nível de The Witcher 3. Os destaques, ficam com a dublagem, onde temos dubladores do calibre de Gilberto Baroli (Conde Cadwell - Saga de Gêmeos de Cavaleiros do Zodíaco) e Mauro Ramos (Narrador - Pumba de O Rei Leão) e com os efeitos sonoros, onde por diversas vezes cheguei a olhar para a janela procurando a chuva, mas era apenas o tempo úmido e carregado dos pântanos de Angrem. A trilha sonora não fica muito atrás, sendo bastante parecida com a trilha do último jogo da série principal, dando até a impressão que foram utilizadas as mesmas músicas.

As decisões tomadas durante o jogo têm impactos em sua maioria imediatos. Quando um aliado no decorrer da história realiza alguma ação questionável, ou até mesmo criminosa, você pode decidir em expulsá-lo de sua caravana ou não. No entanto, deve-se pesar o eventual “crime” que foi cometido e o impacto da expulsão para o seu exército, pois assim, a carta correspondente ao aliado se esvai. Já as decisões a serem tomadas em conversas com os NPC's são bem simples, e apresentam as recompensas e punições nas opções de diálogo, simplificando a questão e tornando-as por vezes bastante fúteis. Já algumas respostas escolhidas em diálogos podem mudar significativamente o seu caminho e até mesmo o final do jogo. E sim, temos vários finais, aumentando o fator replay.


O ambiente da série está muito bem representado, deste o preconceito e ódio contra os não-humanos, religiões, intrigas palacianas, golpes de estado, personagens carismáticos, espionagem, traições, romances, etc. E a humanidade de Meve, com suas virtudes e defeitos fazem dela uma personagem muito forte e interessante, só não mais carismática que o nosso bruxo preferido, Geralt de Rívia (não é coincidência termos a rainha de Lyria e Rívia e um bruxo nomeado cavaleiro de Rívia).


Mas, o jogo não é perfeito. Temos constantes quedas de frame rate e problemas de renderização durante a exploração dos mapas, além de rápidos travamentos quando se está organizando o baralho. Apesar de não comprometer o gameplay isso irrita e causa uma certa estranheza, reduzindo a imersão no jogo. Outros pontos a criticar são as batalhas, que são fáceis na dificuldade padrão, inteligência artificial extremamente ruim quando acessado o modo de treino no acampamento (inclusive destruindo as próprias unidades) e a maioria dos pluzzes possuem objetivos mal explicados, fazendo o jogador ir na base da tentativa e erro.


Thronebreaker: The Witcher Tales expande e preenche lacunas da série The Witcher de forma magistral. As inúmeras referências aos livros e aos três jogos da série principal, incluindo fatos narrados e participações de personagens bem conhecidos, são um prato cheio para aqueles que mergulharam no universo criado por Andrej Sapkowski. O esmero por parte da CD Projekt RED, resultou em mais um jogo de excelente qualidade, recomendado não só para os fãs de The Witcher, mas para todos aqueles que gostam de um boa aventura, um bom jogo de cartas e porque não, um bom RPG.

Thronebreaker: The Witcher Tales foi analisado através de uma cópia digital para Xbox One cedida pela CD Projekt RED. O jogo está disponível ainda para PS4 e PC (Steam/GOG).


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