CRITICANDO: Se a Rua Beale Falasse - Nada é pior que a incerteza - PREMIERE LINE

Quando se é criança e somos acusados de algo que não fizemos choramos bastante e isso amolece o coração dos adultos (normalmente). Mas e quando se é adulto e isso acontece de uma forma grave, pra quem chorar?

Baseado no célebre romance de James Baldwin, o filme acompanha Tish (Kiki Layne), uma grávida do Harlem, que luta para livrar seu marido de uma acusação criminal injusta e de subtextos racistas a tempo de tê-lo em casa para o nascimento de seu bebê.

Cada dia que passa os debates sobre racismo crescem mais e mais, ganham mais espaço ainda dentro das artes. O crescimento do movimento do rap de improviso, que se tornou uma moda grandiosa nos últimos anos com as batalhas de rap, o surgimento de novos ídolos como Beyonce, Childish Gambino, John Legend e aqui no Brasil com a IZA tiraram os jovens de seus casulos sociais e agora nos cinemas o tema é mais abordado que nunca, e está extremamente certo. 

Se a Rua Beale Falasse é leve em tratar do tema, porém com muita seriedade e competência. Aqui temos um jovem, Foggy, falsamente acusado de um estupro e o filme conta o drama em duas linhas: A primeira mostrando como ele e sua namorada se conheceram e na segunda linha todo o desenrolar da família para retirar o rapaz da cadeia.

O filme é belíssimo na técnica, cenas com forte apoio em jogo de câmeras, muitos rostos em zoom para pegar bem as expressões e isso se soma também as trilhas que em alguns momentos é nula, mostrando toda a frieza da situação vivenciada.

As atuações são muito boas, fugindo do arroz com feijão e também não partindo para uma coisa exagerada, aqui as reações são mundanas, como eu ou você reagiríamos em uma conversa de bar, uma notícia de gravidez ou durante uma briga familiar. É tudo real e seco e isso que faz o filme ser tão interessante. 

Não é um conto romantizando relações, não é um filme para exaltar a superação dos problemas... É para ser cruel sem chocar, mas choca justamente por isso: Por ser real e comum. 

O problema pra mim no filme se dá em dois pontos: A ausência de mostrar a realidade por parte de Foggy na cadeia e peca ao deixar alguns momentos monótonos para tentar mostrar a família tentando se normalizar. É complicado se fazer relacionar nesses momentos porque o público pede uma resolução para o caso apresentado.

O filme conseguiu três indicações para o Oscar sendo elas "Melhor roteiro adaptado", "Melhor atriz coadjuvante" com Regina King e "Melhor trilha sonora" e já mordeu prêmios no Globo de Ouro e no Critic´s Choice Awards.

Dirigido pelo diretor Barry Jenkins (Moonlight) e no elenco Kiki Layne (A Rebelião), Stephan James (Raça), Regina King (American Crime Story), Colman Domingo (Lucifer) entre outros. O filme estreia no dia 07 de fevereiro de 2019.

NOTA: 3.75/5


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